Acre não registra produção de cupuaçu em levantamento inédito do IBGE

O Acre aparece na última posição entre os estados da Região Norte na produção de cupuaçu, segundo dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) 2025, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pela primeira vez, a pesquisa incluiu o cupuaçu entre as lavouras permanentes investigadas e o estado acreano aparece com zero tonelada de produção registrada.

O resultado coloca o Acre atrás dos demais estados nortistas que registraram produção. O Pará lidera com 32.491 toneladas, seguido pelo Amazonas, com 3.426 toneladas, e Rondônia, com 2.218 toneladas. Tocantins aparece com 121 toneladas e Roraima, com 15 toneladas. Amapá e Acre não tiveram produção registrada na PAM 2025.

O número chama atenção porque o cupuaçu é uma fruta tradicional da Amazônia e possui importância econômica, cultural e gastronômica na região. No entanto, o dado precisa ser interpretado com cautela: o registro de zero tonelada significa que não houve produção captada pela PAM no Acre em 2025, e não necessariamente que a fruta não seja cultivada ou consumida no estado.

A metodologia da pesquisa pode não alcançar toda a produção existente, principalmente aquela proveniente de pequenas propriedades, destinada ao autoconsumo ou realizada em outras formas de cultivo. Além disso, quando o cupuaçu é obtido por meio do extrativismo, a produção é registrada em outro levantamento do IBGE, a Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS).

Ainda assim, o resultado chama atenção para a participação do Acre na cadeia produtiva da fruta. Enquanto outros estados amazônicos registram produção agrícola em escala significativa, o Acre não teve nenhuma tonelada contabilizada na primeira edição da principal estatística agrícola municipal do país a incluir especificamente o cupuaçu.

Ao todo, a PAM 2025 registrou 38.271 toneladas de cupuaçu na Região Norte. Desse volume, aproximadamente 84,9% foram produzidos no Pará, que aparece distante dos demais estados no levantamento.

Os números também levantam discussões sobre o aproveitamento econômico de uma fruta tradicional da Amazônia e sobre o potencial de desenvolvimento da cadeia produtiva do cupuaçu no Acre.

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