O governo da Itália aprovou, na quinta-feira (24), um decreto que proíbe o uso de burcas e niqabs por alunas nas escolas do país. A medida também estabelece um limite de 30% para a presença, em uma mesma sala de aula, de estudantes que tenham conhecimento limitado da língua italiana.
As novas regras já entraram em vigor, mas ainda precisam ser referendadas pelo Parlamento italiano no prazo de até 60 dias.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que o objetivo da medida não é promover separação entre os estudantes, mas favorecer a integração. Segundo ela, as regras buscam evitar a formação de “turmas-gueto” e garantir oportunidades semelhantes aos alunos.
“Instrumentos de bom senso que não dividem, mas ajudam a integrar de verdade, evitando turmas-gueto e dando a todos os alunos as mesmas oportunidades”, afirmou Meloni em publicação nas redes sociais.
A decisão, no entanto, foi criticada pela oposição. Elly Schlein, secretária do Partido Democrático, afirmou que o governo estaria adotando medidas que poderiam resultar na segregação de crianças estrangeiras. Ela também criticou a falta de investimentos nas escolas públicas e classificou o decreto como uma iniciativa de caráter ideológico.
A burca é uma vestimenta que cobre todo o corpo e o rosto, deixando apenas uma pequena abertura de tela na região dos olhos. Já o niqab cobre o rosto e deixa os olhos à mostra. As duas peças são utilizadas por algumas mulheres muçulmanas.
A Itália está entre os principais pontos de entrada de imigrantes que chegam à Europa pela rota do Mediterrâneo Central, que conecta o continente europeu ao norte da África. Outros países europeus, como França, Portugal e Bélgica, também adotaram restrições ao uso de véus em determinadas situações ou espaços públicos.





