Um relatório da Delegacia de Combate à Corrupção aponta a inserção de 100 bovinos no cadastro de Fábio Ricardo Leite, conhecido como Rico Leite, candidato a vice-governador na chapa de Alan Rick, durante uma investigação sobre supostas fraudes em registros de rebanhos no Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf). Apesar de ser citado nos autos, Rico Leite não foi indiciado pela Polícia Civil.
De acordo com o processo nº 0003826-61.2022.8.01.0001, os investigadores registraram que, em 14 de janeiro de 2020, utilizando o cadastro de Marcos Venicios Perdigão Brandão de Sousa, vinculado à Fazenda Carrapicho, foram inseridos “100 bovinos no cadastro de FABIO RICARDO LEITE”, com destino à Fazenda Castanhal, localizada no município de Bujari.
Segundo depoimentos colhidos durante a investigação, Perdigão atuava como prestador de serviços da família Leite e possuía autorização para movimentar cadastros ligados às propriedades rurais administradas pelo grupo. A ex-secretária Jacilene do Nascimento Araújo afirmou à polícia que ele mantinha proximidade com José Marcos Leite Júnior e Leandro Luiz Leite, irmãos de Rico Leite, além de outros integrantes da família.
A investigação também aponta que Jacilene atuava como intermediária entre Perdigão e Raimar de Assis Modesto, servidor do Idaf acusado de realizar alterações irregulares no sistema do órgão. Conforme o relatório, foram identificadas 40 transferências bancárias feitas por Jacilene a Raimar, somando R$ 19.890, além de nove transferências realizadas diretamente por Perdigão, totalizando R$ 4.016.
Os investigadores afirmam ter identificado contatos frequentes entre Perdigão e o servidor para a realização de supostas inserções falsas no sistema do Idaf. Os pagamentos e as movimentações de bovinos foram confrontados durante a apuração para verificar possíveis irregularidades nos cadastros.
Em depoimento, Jacilene relatou ainda uma operação investigada em que cerca de 3 mil animais teriam sido inseridos artificialmente em um cadastro após a contratação de um financiamento junto ao Banco da Amazônia. Segundo ela, a intenção seria fazer com que uma propriedade apresentasse mais gado do que realmente possuía. A ex-secretária atribuiu as orientações para a operação aos irmãos José Marcos e Leandro Leite.
O relatório destaca, porém, que os documentos analisados não esclarecem se os 100 bovinos registrados no cadastro de Rico Leite correspondiam a uma transferência efetiva de animais ou a uma inserção fictícia. Também não há indicação de que os animais tenham sido utilizados para obtenção de crédito ou apresentação de garantias bancárias.
A mãe dos irmãos Leite, Ana Maria Leite, declarou à polícia que não participava da gestão dos rebanhos e que as movimentações eram realizadas pelos filhos. O depoimento reproduzido no relatório cita José Marcos, Fábio Ricardo, Leandro e Murilo Leite como responsáveis pela administração dos animais.
Ao final do inquérito, concluído em maio de 2023, a Polícia Civil indiciou Raimar de Assis Modesto por corrupção passiva e Marcos Venicios Perdigão, Jacilene do Nascimento Araújo e José Marcos Leite Júnior por corrupção ativa. Posteriormente, os três últimos firmaram acordos de não persecução penal com o Ministério Público.
Em termo de confissão assinado em julho de 2023, José Marcos Leite Júnior admitiu ter oferecido vantagem indevida, por intermédio de terceiros, para a inserção de dados falsos no sistema do Idaf em benefício próprio. Como parte do acordo, foi estabelecido o pagamento de R$ 90 mil. O procedimento não representa condenação criminal.
O caso ganhou repercussão durante o período eleitoral por envolver pessoas ligadas ao candidato a vice-governador Rico Leite, embora ele não figure entre os indiciados na investigação.
Por: Alerta Cidade





