Os países do Brics chegaram a um consenso mínimo sobre os conflitos no Oriente Médio e aprovaram, neste sábado (12), o comunicado final da cúpula do bloco, realizada em Nova Délhi, na Índia.
O documento condena a adoção de medidas coercitivas unilaterais contrárias ao direito internacional, incluindo sanções econômicas unilaterais e sanções secundárias. O texto, porém, não cita nominalmente nenhum país.
Segundo o comunicado, essas medidas afetam de forma desproporcional as populações mais pobres e pessoas em situação de vulnerabilidade, além de aprofundarem a exclusão digital e agravarem desafios ambientais.
As negociações avançaram durante a madrugada deste sábado e foram marcadas por pressão diplomática, especialmente dos anfitriões indianos. A fórmula adotada permitiu acomodar posições divergentes de Irã e Emirados Árabes Unidos, que estão em lados opostos nas tensões do Oriente Médio e ameaçavam impedir a aprovação do documento.
Sobre a região, o Brics manifestou “profunda preocupação” com a escalada das tensões e pediu máxima contenção para evitar novas ações que possam agravar o cenário.
O bloco também defendeu a proteção de civis e da infraestrutura civil, além do respeito à soberania e à integridade territorial dos países. O comunicado incentiva o diálogo e a diplomacia como caminhos para alcançar uma paz duradoura e preservar a estabilidade regional.
Os países também ressaltaram a necessidade de manter o fluxo regular do comércio global, das cadeias de suprimentos e de energia, em conformidade com o direito internacional.
Críticas a sanções contra Cuba
Além das questões relacionadas às guerras e conflitos, o comunicado final critica as sanções econômicas impostas a Cuba e o embargo dos Estados Unidos à venda de petróleo para a ilha.
Apesar da crítica, o documento não menciona diretamente o presidente Donald Trump nem os Estados Unidos.
O Brasil teve participação ativa nas negociações para incluir a situação cubana no texto. A crise energética enfrentada pela ilha tem agravado problemas humanitários e dificultado o cotidiano da população.
O Brics destacou o caráter da América Latina e do Caribe como uma zona de paz, baseada no respeito mútuo, na solução pacífica de controvérsias e no princípio da não intervenção.
O comunicado manifesta “profunda preocupação” com o agravamento das medidas unilaterais de bloqueio contra Cuba e aponta impactos negativos sobre a economia, o abastecimento de energia e as condições humanitárias da população.
China defende atuação pela paz
Durante os primeiros discursos da cúpula, o líder chinês, Xi Jinping, afirmou que a China pretende trabalhar com os demais integrantes do Brics para contribuir com a manutenção da paz e da estabilidade no Oriente Médio.
Já o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, voltou a defender uma reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Segundo Modi, os grandes países em desenvolvimento, que atualmente respondem por uma parcela significativa do crescimento econômico mundial, precisam ter maior participação nas decisões internacionais.





