Uma servidora da Prefeitura de São Paulo deverá ser afastada do cargo por pelo menos 30 dias após ter atestado que uma construção existente no terreno onde um prédio desabou, na zona leste da capital, havia sido demolida. Segundo a administração municipal, porém, a demolição nunca foi realizada.
O afastamento foi anunciado pelo procurador-geral do município, Daniel Falcão. A medida permitirá que a Controladoria-Geral do Município investigue como o documento foi emitido e qual foi a atuação da funcionária no processo.
“Vai haver uma determinação minha de afastamento dessa servidora que deu esse ateste por pelo menos 30 dias para ajudar na investigação. Ela não pode continuar no cargo nesse momento para não atrapalhar a nossa investigação interna”, afirmou Falcão.
O documento foi assinado em fevereiro de 2024 por uma funcionária da Subprefeitura da Penha. Na ocasião, ela declarou que a demolição havia sido realizada “em sua integralidade” e que uma nova edificação estava sendo construída no local.
Segundo Falcão, o próprio advogado da construtora esteve no terreno e constatou posteriormente que a estrutura antiga não havia sido demolida.
Prédio desabou sobre casa
O prédio em construção, de 12 andares, desabou por volta das 1h58 deste sábado (12), na Rua Tequici, na Penha, zona leste de São Paulo. A estrutura caiu sobre uma residência vizinha.
Duas mulheres morreram, sendo uma delas grávida. Outras duas pessoas foram resgatadas com vida e encaminhadas para atendimento médico.
Até o início da tarde, quatro pessoas permaneciam soterradas nos escombros: uma criança, um casal e outra mulher. Cerca de 60 bombeiros, com o apoio de 20 viaturas e cães de busca, atuavam nas operações de resgate.
A construção já havia sido alvo de medidas da Prefeitura. Em 2019, o município autuou e interditou a obra por falta de alvará. Em 2021, a administração municipal entrou na Justiça para impedir que a construção avançasse.
Polícia procura responsáveis
A Polícia Civil realiza diligências para localizar e prender os responsáveis pela obra. Segundo o prefeito Ricardo Nunes, os responsáveis são pai e filho, sendo que o filho também seria um dos proprietários do imóvel e o engenheiro responsável tecnicamente pela construção.
A investigação busca esclarecer as circunstâncias do desabamento e verificar eventuais responsabilidades pela obra.
Uma câmera de segurança instalada do outro lado da rua registrou o momento em que a estrutura desabou. As imagens mostram que o acidente ocorreu durante a madrugada e que não havia pessoas dentro do imóvel em construção no momento da queda.
A Defesa Civil informou que ainda não é possível afirmar se as chuvas que atingem a capital paulista tiveram alguma relação com o desabamento.
A obra era realizada pela construtora New Home. O advogado da empresa, Alexandre Sampi, afirmou que a construção estava regular e possuía alvará. Segundo ele, o prédio chegou a ser embargado, mas o embargo teria sido posteriormente cassado.





