A divulgação do IPCA-15 de agosto, que registrou queda de 0,40%, fortaleceu a expectativa do mercado financeiro de novos cortes na taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central. O resultado veio melhor do que a projeção dos analistas, que estimavam recuo de 0,30% para o período.
A prévia da inflação foi divulgada nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice negativo foi impulsionado principalmente pela redução nos preços da energia elétrica, combustíveis, passagens aéreas e alimentos consumidos em casa.
Para especialistas, o comportamento dos chamados núcleos da inflação — que desconsideram itens mais voláteis — foi um dos pontos mais positivos do levantamento. A média desses indicadores avançou apenas 0,23%, sinalizando desaceleração mais consistente dos preços.
Segundo o conselheiro da Associação Nacional das Corretoras (Ancord), Pablo Spyer, o resultado reduz parte da pressão inflacionária observada nos últimos meses, embora ainda seja cedo para afirmar que a inflação está totalmente controlada.
O mercado reagiu de forma positiva ao indicador, com recuo nas taxas dos contratos futuros de juros. A avaliação predominante é de que o resultado aumenta as chances de o Comitê de Política Monetária (Copom) promover nova redução da Selic na reunião marcada para os dias 15 e 16 de setembro.
Outro destaque apontado pelos economistas foi a queda de 0,97% na alimentação no domicílio, influenciada pela redução dos preços de produtos básicos consumidos pelas famílias brasileiras.
Apesar do cenário favorável, analistas alertam que a inflação de serviços continua elevada e segue como fator de preocupação. Além disso, existe atenção quanto aos possíveis impactos do fenômeno climático El Niño sobre os preços dos alimentos nos próximos meses.
Atualmente, a taxa Selic está em 14% ao ano. Parte do mercado já projeta que ela possa encerrar 2026 em torno de 13,5%, caso a desaceleração da inflação se mantenha nos próximos meses.





