Saimaluu Tash: tesouro da Idade do Bronze guarda quase 90 mil gravuras nas montanhas do Quirguistão

Escondido entre as montanhas Tian Shan, no Quirguistão, o vale de Saimaluu Tash abriga um dos maiores conjuntos de arte rupestre do mundo. O local reúne cerca de 90 mil petróglifos gravados em mais de 10 mil rochas vulcânicas, preservando registros de povos que viveram na região há até 4 mil anos.

Conhecido como “Pedras Bordadas” na língua quirguiz, o sítio arqueológico está localizado em uma área remota de alta altitude e só pode ser visitado durante um curto período do ano. O acesso depende de condições climáticas específicas e geralmente ocorre entre julho e setembro.

As gravuras foram produzidas ao longo de aproximadamente três milênios por diferentes povos nômades, incluindo tribos da Idade do Bronze, guerreiros citas e antigas civilizações turcas. Os desenhos retratam cenas de caça, batalhas, rituais religiosos, adoração ao sol, animais selvagens e atividades do cotidiano.

Pesquisadores apontam que o local foi um importante centro espiritual ligado ao tengrismo, antiga crença baseada na veneração da natureza e dos espíritos, predominante na Ásia Central antes da chegada do islamismo.

Apesar de sua importância histórica, Saimaluu Tash permaneceu praticamente desconhecido até ser redescoberto pelo cartógrafo russo Nikolai Khludov em 1902. Estudos arqueológicos mais aprofundados começaram apenas no fim da década de 1940.

A localização isolada ajudou a preservar as gravuras ao longo dos séculos, reduzindo casos de vandalismo e saque. Atualmente, o sítio é considerado um dos mais valiosos patrimônios arqueológicos da Ásia Central e oferece uma rara janela para a vida, a cultura e as crenças de povos que habitaram a região muito antes da era moderna.

Além do valor histórico, o cenário natural impressiona visitantes com montanhas nevadas, vales remotos e paisagens praticamente intocadas, tornando o local um dos destinos mais singulares do Quirguistão.

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