O empresário Hui Ka Yan, fundador da incorporadora imobiliária Evergrande e ex-bilionário considerado um dos homens mais ricos da China, foi condenado à prisão perpétua nesta quinta-feira (20), segundo informações divulgadas pela agência estatal Xinhua.
Hui, também conhecido como Xu Jiayin, havia se declarado culpado em abril por diversos crimes relacionados à gestão da empresa, incluindo fraude financeira e uso indevido de recursos.
Além da pena de prisão perpétua, a Justiça determinou o confisco de seus bens pessoais e a perda de seus direitos políticos. A Evergrande Group foi multada em 8,82 bilhões de yuans (cerca de US$ 1,23 bilhão), enquanto a Evergrande Real Estate recebeu multa de 7 bilhões de yuans.
As condenações envolvem acusações de fraude financeira, manipulação de ativos, ocultação de passivos, captação ilegal de recursos, fraude em arrecadação de fundos e divulgação irregular de informações relevantes ao mercado.
A decisão representa um dos capítulos mais marcantes da crise imobiliária chinesa, que ganhou força a partir de 2021, quando a Evergrande acumulou cerca de US$ 300 bilhões em dívidas. O colapso da empresa se tornou símbolo das dificuldades enfrentadas pelo setor imobiliário da segunda maior economia do mundo.
Da pobreza ao império imobiliário
Nascido na década de 1950 na província de Henan, Hui teve origem humilde e trabalhou em fazendas e como vigia antes de ingressar na universidade. Em 1996, fundou a Evergrande, empresa que se transformaria em uma das maiores incorporadoras da China.
No auge, o grupo possuía mais de 1.300 empreendimentos espalhados por mais de 280 cidades chinesas, cerca de 200 mil funcionários e faturamento superior a US$ 110 bilhões anuais. A companhia também investiu em diversos setores, incluindo o futebol, por meio do Guangzhou Evergrande.
A crise da Evergrande expôs os riscos do modelo de crescimento baseado no forte endividamento das incorporadoras chinesas. Nos últimos anos, o setor imobiliário enfrentou queda nas vendas, excesso de oferta de imóveis e desaceleração econômica, fatores que continuam pressionando a economia do país.
Analistas avaliam que a condenação de Hui marca um momento simbólico na tentativa do governo chinês de responsabilizar figuras centrais pela maior crise imobiliária da história recente do país.





