Rio de Janeiro descarta suspeita de Ebola após caso semelhante em São Paulo: o que se sabe até agora

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O Instituto Nacional de Infectologia da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) descartou um caso suspeito de Ebola no Rio de Janeiro.

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro havia dito na noite de sábado (30/5) que investigava um caso suspeito. Em nota à imprensa, a Prefeitura do Rio informou que se trata de um homem belga vindo de Uganda, país que, ao lado da República Democrática do Congo, está no centro do novo surto da doença, identificado em maio.

O paciente teve resultado positivo para malária em exame realizado na Fiocruz. Segundo a administração municipal, pessoas que tiveram contato com ele também estão sendo monitoradas preventivamente.

Nesta segunda-feira (01/06), a Fiocruz confirmou que foram realizados exames 72 horas após o surgimento de sintomas — e que o resultado foi negativo.

“Foi adotado o protocolo preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o tema. De acordo com o protocolo, datado de dezembro de 2024, se o paciente testar negativo para amostra coletada até 72 horas do início de sintomas, um segundo teste deve ser realizado após as 72 horas de início de sintomas”, disse a Fiocruz em nota à BBC News Brasil.

“No caso do paciente atendido, a coleta foi realizada após as 72 horas de início de sintomas, portanto, o resultado é conclusivo.”

Além do caso no Rio de Janeiro, a Prefeitura de São Paulo informou que também apura uma suspeita da doença.

Em São Paulo, o caso envolve um homem de 37 anos vindo da República Democrática do Congo que apresentou sintomas como febre e teve resultado positivo, no Instituto Adolfo Lutz, para a bactéria Neisseria meningitidis, causadora da meningite meningocócica.

Ele está internado em isolamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, unidade estadual de referência para atendimento desse tipo de doença.

Segundo o Ministério da Saúde, o país nunca registrou um caso confirmado de Ebola.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 27 de maio foram notificados na República Democrática do Congo um total de 906 casos suspeitos e 223 mortes entre os casos suspeitos. São 134 casos confirmados — incluindo nove em Uganda —, com 18 mortes entre os casos confirmados.

Sintomas podem se confundir com outras doenças

Entre os principais sintomas do Ebola estão febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Eles levam de dois a 21 dias para aparecer e começam como se fosse uma gripe. Depois, podem se intensificar, e alguns pacientes desenvolvem hemorragias.

São, porém, sintomas comuns a diversas infecções, o que dificulta a identificação de um caso suspeito apenas com base no quadro clínico.

Por isso, a suspeita costuma levar em conta também o histórico de viagem e possíveis exposições do paciente. Nos casos investigados em São Paulo e no Rio de Janeiro, ambos os pacientes estiveram recentemente em países afetados pelo surto.

Risco de transmissão é baixo, dizem autoridades

As autoridades responsáveis pelos dois casos suspeitos afirmam que o risco de transmissão de Ebola no Brasil é baixo. A avaliação é compartilhada pelo Ministério da Saúde.

Isso porque o ebola não é transmitido pelo ar. A infecção ocorre por contato direto com sangue, secreções ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas, em geral apenas quando elas já apresentam sintomas.

Apesar da avaliação de baixo risco, o Ministério da Saúde ativou na semana passada o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais, com o objetivo de reforçar a vigilância e a capacidade de resposta do sistema de saúde.

Em uma rua na cidade de Goma, na República Democrática do Congo, um profissional de saúde com máscara facial azul e avental médico mede a temperatura de uma mulher com um dispositivo próximo à cabeça. Outra mulher e um homem estão do outro lado esperando.
Legenda da foto,Profissionais de saúde têm monitorado a temperatura das pessoas enquanto tentam evitar que o surto se espalhe na República Democrática do Congo

O plano prevê a intensificação do monitoramento de viajantes procedentes de países afetados pelo surto, a identificação de casos suspeitos, o isolamento de pacientes e o acompanhamento de seus contatos.

Também estabelece que, diante de um caso suspeito, uma segunda amostra de sangue pode ser coletada 48 horas após a primeira, mesmo que o exame inicial tenha resultado negativo.

O documento, cuja versão mais recente é de 2024, não prevê fechamento de fronteiras nem restrições a viagens ou ao comércio.

Além disso, o Brasil não mantém voos diretos para a região mais afetada pelo surto, o que reduz a circulação de viajantes potencialmente infectados e a probabilidade de introdução da doença no país.

A declaração de uma emergência de saúde pública de interesse internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS) não significa, necessariamente, que o mundo esteja diante dos estágios iniciais de uma pandemia nos moldes da Covid-19.

Por que esse surto é diferente? Existe vacina?

O novo surto é causado pela espécie Bundibugyo de Ebola, que não era vista há mais de uma década e causou apenas dois surtos anteriores, quando matou cerca de um terço dos infectados.

Essa espécie está causando desafios. Exames de sangue iniciais em pacientes com suspeita de infecção tiveram resultados negativos, pois os testes só funcionam com as cepas mais comuns.

Não há vacina aprovada para o Bundibugyo, mas versões experimentais estão em desenvolvimento. É possível que uma vacina para outra espécie do vírus, chamada Zaire, ofereça alguma proteção.

Também não há medicamentos desenvolvidos que tenham como alvo o Bundibugyo, tornando o tratamento mais difícil.

Uma complicação adicional é que o surto está ocorrendo em uma zona de conflito, com cerca de 250 mil pessoas deslocadas de suas casas e uma travessia frequente de fronteiras.

Foto de um laboratório com tubos de coleta de exames.
Legenda da foto,Se confirmados, serão os primeiros casos de Ebola fora da África desde o início do novo surto e o primeiro registrado na história do Brasil

Por: BBC

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