Retorno ocorreu de forma gradativa nesta segunda-feira (18), com apoio psicossocial, reforço na segurança e acolhimento aos estudantes
Quase duas semanas após o ataque a tiros que resultou na morte de duas servidoras no Instituto São José, em Rio Branco, as aulas presenciais foram retomadas nesta segunda-feira (18) em meio a um forte esquema de segurança e acolhimento emocional.
Neste primeiro momento, o retorno aconteceu de forma gradativa, atendendo alunos do 1º ao 3º ano do ensino fundamental. A previsão da direção é que os estudantes do ensino fundamental 2 e do ensino médio retornem às atividades na próxima quarta-feira (20).
Logo nas primeiras horas da manhã, pais e responsáveis acompanharam a chegada das crianças à unidade escolar. O clima foi marcado por emoção, abraços e mensagens de apoio. Servidores recepcionaram os alunos com cartazes de “abraço grátis” e frases de acolhimento, buscando transmitir segurança e conforto à comunidade escolar.
Além do acolhimento emocional, a escola reforçou os protocolos de segurança. Detectores de metais passaram a ser utilizados na entrada da instituição para inspeção de mochilas e objetos pessoais dos estudantes. Equipes da Polícia Militar permaneceram em frente ao colégio durante o início das atividades.
Segundo a direção da escola, ao longo da semana serão realizadas ações de escuta, acolhimento psicológico e apoio psicossocial voltadas a estudantes, familiares e servidores afetados pela tragédia.
Relembre o caso
O ataque ocorreu no dia 5 de maio, dentro do Instituto São José, escola conveniada ao Estado. Conforme a investigação, o autor dos disparos é um adolescente de 13 anos, que entrou armado na instituição e atirou contra servidores e estudantes.
As servidoras Alzenir Pereira da Silva e Raquel Sales Feitosa morreram no local. Uma estudante de 11 anos e outra funcionária ficaram feridas, mas receberam alta médica no mesmo dia. O adolescente segue apreendido.
Após o crime, o governo do Acre e a Prefeitura de Rio Branco decretaram luto oficial de três dias e suspenderam temporariamente as aulas nas redes pública e privada.
Operação Escola Segura
O subcomandante-geral da Polícia Militar do Acre, coronel Kleison Albuquerque, informou que a corporação ampliou a Operação Escola Segura em Rio Branco e no interior do estado.
De acordo com o oficial, policiais do policiamento comunitário foram mobilizados para atuar nas proximidades das escolas, reforçando o patrulhamento ostensivo e ações preventivas.
Além da presença policial, a PM também realiza monitoramento de possíveis ameaças e ações de acolhimento voltadas aos estudantes e profissionais da educação.
Investigação segue em andamento
O adolescente suspeito se apresentou no Comando-Geral da Polícia Militar pouco depois do ataque e foi apreendido. Segundo a polícia, a arma utilizada no crime pertence ao padrasto do jovem.
A Polícia Civil informou que duas linhas de investigação seguem em andamento: uma para apurar o ato infracional cometido pelo adolescente e outra para investigar a responsabilidade do padrasto pela guarda da arma de fogo.
O caso também mobilizou o Ministério da Educação, que enviou especialistas do programa Escola que Protege ao Acre para acompanhar as medidas adotadas após a tragédia.






