Golfinhos treinados para guerra: a história dos animais militares da União Soviética que acabaram no Irã

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A possibilidade de o Irã utilizar golfinhos treinados em operações militares voltou ao centro das atenções após especulações divulgadas pela imprensa dos Estados Unidos sobre o conflito envolvendo Teerã, Washington e Israel no Golfo Pérsico.

Durante uma coletiva no Pentágono, realizada em 5 de maio, um jornalista questionou o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, sobre supostos “golfinhos kamikazes” usados pelo Irã.

“Não posso confirmar nem desmentir a existência dos nossos próprios golfinhos suicidas, mas posso confirmar que eles não têm nenhum”, respondeu Hegseth, em tom irônico.

O chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Dan Kaine, também comentou o assunto e comparou a teoria a “tubarões equipados com raios laser”.

As declarações surgiram dias após o jornal The Wall Street Journal publicar uma reportagem afirmando que autoridades iranianas cogitavam utilizar armas incomuns para enfrentar o bloqueio naval americano no estreito de Ormuz — incluindo submarinos e golfinhos equipados com minas.

A publicação também relatou ameaças da Guarda Revolucionária Islâmica de interromper cabos submarinos de fibra óptica na região, o que poderia afetar o tráfego global de internet.

Programas militares com golfinhos existem há décadas

Embora pareça algo saído de um filme, o uso militar de golfinhos é real e remonta à Guerra Fria.

Há cerca de 26 anos, a própria BBC noticiou que o Irã teria comprado animais treinados pela antiga marinha soviética após o colapso da União Soviética.

Os mamíferos aquáticos eram preparados para localizar minas, patrulhar áreas marítimas e enfrentar mergulhadores inimigos. Com a crise econômica após o fim da URSS, muitos desses programas perderam financiamento, e parte dos animais acabou sendo vendida.

Segundo relatos da época, o principal responsável pelo treinamento era Boris Zhurid, ex-oficial de submarinos e especialista em medicina. Sem recursos para manter os animais, ele teria negociado a transferência para o Irã.

“Não consigo ver meus animais passarem fome”, declarou Zhurid ao jornal russo Komsomolskaya Pravda.

Animais treinados para missões de combate

Reportagens da época afirmavam que cerca de 27 animais foram transportados da Crimeia para o Golfo Pérsico em aeronaves militares. Entre eles estavam golfinhos, botos, focas, leões-marinhos e uma baleia beluga.

Os treinamentos incluíam operações de ataque contra mergulhadores, identificação de embarcações e transporte de equipamentos explosivos.

Segundo os relatos, alguns golfinhos eram capazes de reconhecer submarinos soviéticos pelo som das hélices e poderiam carregar minas que detonariam ao atingir navios inimigos.

A imprensa russa chegou a chamar os animais de “mercenários marinhos”, enquanto jornais afirmavam que o Irã havia comprado “uma antiga arma secreta soviética a preço de liquidação”.

EUA e Rússia mantêm programas semelhantes

Além da antiga União Soviética, os Estados Unidos também desenvolveram programas militares com mamíferos marinhos.

A Marinha americana mantém até hoje um centro especializado em San Diego, na Califórnia, onde golfinhos e leões-marinhos são treinados para detectar minas submarinas, proteger portos e auxiliar em operações navais.

Nos últimos anos, imagens de satélite também levantaram suspeitas sobre programas semelhantes na Coreia do Norte.

Já a Rússia ampliou o uso de golfinhos militares em Sebastopol, no mar Negro, após o início da guerra na Ucrânia, para proteger instalações e embarcações estratégicas.

Irã negou finalidade militar

O ex-presidente iraniano Akbar Hashemi Rafsanjani mencionou os animais em suas memórias e afirmou ter visitado instalações onde os mamíferos marinhos eram mantidos.

Segundo ele, os animais haviam sido importados da Ucrânia junto com treinadores especializados, mas não tinham finalidade bélica.

Rafsanjani afirmou que autoridades iranianas chegaram a negar oficialmente rumores de que os animais seriam usados para instalar ou desarmar minas marítimas.

Ele também descreveu os golfinhos como inteligentes e obedientes, embora tenha feito uma observação curiosa:

“Todos obedeciam aos treinadores, menos quando colocavam música”, escreveu o ex-presidente iraniano.

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