O agente americano que atuava na área de imigração no Brasil já retornou aos Estados Unidos após o governo Lula adotar o “princípio da reciprocidade” em resposta à expulsão do delegado federal Marcelo Ivo de Carvalho.
O brasileiro atuava como oficial de ligação com o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), em Miami, e foi obrigado a deixar os Estados Unidos sob a alegação de que atuou irregularmente na prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem.
Michael William Myers, que estava no Brasil desde 2024 e atuava como homólogo a Carvalho na área de imigração, deixou Brasília na quarta-feira (22), de acordo com duas fontes que acompanham o caso de perto.
A embaixada americana no Brasil, procurada pela CNN, disse que não há informações oficiais para compartilhar. A PF (Polícia Federal) também não se pronunciou até o momento.
O retorno de Myers aos Estados Unidos ocorreu um dia após o Itamaraty comunicar, na tarde de terça-feira (21), pessoalmente à encarregada de Negócios da Embaixada dos EUA, Kimberly Kelly, que o agente americano também seria convidado a deixar o país em resposta à medida aplicada contra Marcelo Ivo de Carvalho.
Na segunda-feira (20), o Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos publicou nas redes sociais que havia pedido que o delegado da PF deixasse o país após ter feito o monitoramento que levou à prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem. Carvalho, que atuava junto ao ICE, já retornou ao Brasil.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso”, diz o texto do órgão americano.
O Itamaraty só se pronunciou oficialmente na noite de quarta-feira (22). Assim como os Estados Unidos, também utilizou as redes sociais e disse que a medida americana não “observa a boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação”.
O comunicado ainda critica que a “decisão sumária contra o agente da Polícia Federal” foi tomada sem qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso, como prevê o memorando de entendimento bilateral que regula essa modalidade de cooperação policial.
Antes de o Itamaraty anunciar a adoção da reciprocidade, ou seja, também exigir a saída do agente americano, a PF informou que havia retirado as credenciais do policial dos Estados Unidos.
A nova crise entre Brasil e Estados Unidos começou após Ramagem, ex-chefe da Abin, ter sido flagrado em uma infração de trânsito com o visto cancelado. Ele ficou preso, mas foi solto dois dias depois. O ex-deputado, condenado a 16 anos pelo plano de golpe, tem pedido de asilo com a alegação de sofrer perseguição política.
No dia da prisão de Ramagem, a PF afirmou, em nota, que “a prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e as autoridades policiais dos EUA”.
Com informações CNN






