O Agente Secreto perde estatueta de Melhor Filme Internacional para Valor Sentimental

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Nos últimos dois anos, não há nada mais brasileiro que chegar ao Oscar. Com direito a diretor ‘tuiteiro’, meme e até fantasia de carnaval, O Agente Secreto levou a força da cultura brasileira até Hollywood. O longa-metragem de Kleber Mendonça Filho concorria à categoria de Melhor Filme Internacional neste domingo, 15, mas acabou não levando a estatueta. O vencedor foi Valor Sentimental.

A produção pernambucana tentava repetir o feito de Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, que fez até a Marquês de Sapucaí parar para celebrar a vitória em março de 2025.

A conquista da produção pernambucana repete o feito de Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, que fez até a Marquês de Sapucaí parar para celebrar a estatueta, em março de 2025.

A aposta do Brasil concorria com Foi Apenas um Acidente, do iraniano Jafar Panahi, Sirat, do polêmico espanhol Oliver Laxe, A Voz de Hind Rajab, da Tunísia, e Valor Sentimental, da Noruega, considerado o principal ‘rival’ de O Agente Secreto pela estatueta.

Os concorrentes não eram novidade para o filme estrelado por Wagner Moura. No Globo de Ouro 2026, a produção já tinha batido todos os nomes indicados e confirmou seu favoritismo ao Oscar ao vencer na categoria de Melhor Filme de Língua Não Inglesa, uma espécie de revanche pela derrota de Ainda Estou Aqui para o francês Emília Pérez em 2025.

Sucessor de ‘Ainda Estou Aqui’ fez campanha longa

Há quem acompanhe apenas ao Oscar, mas a verdade é que a cerimônia hollywoodiana é apenas a cereja do bolo de uma maratona glamourosa, mas também ‘suada’.

Até chegar à premiação no Dolby Theatre, em Los Angeles, O Agente Secreto enfrentou uma longa campanha que fez até Wagner Moura misturar o inglês com o português em uma entrevista, sem ao menos perceber.

A primeira vez que o mundo se voltou ao filme ambientado em Recife foi durante a 78ª edição do Festival de Cannes, na França. Na estreia em grande estilo, O Agente Secreto foi aplaudido por cerca de 13 minutos e a exibição rendeu a Wagner Moura o prêmio de Melhor Ator.

Essa comoção toda ocorreu lá em maio de 2025, meses antes da estreia oficial no Brasil. Lançado em 6 de novembro nos cinemas nacionais, O Agente Secreto revisita o período da ditadura militar em um trabalho que une memória à denúncia.

Como já habitual das obras dirigidas por Kleber Mendonça Filho, o plano de fundo da trama é o Recife. É para a capital pernambucana que o protagonista Marcelo se muda em 1977, em meio à opressão. Perseguido por assassinos de aluguel em São Paulo, o professor universitário se vê obrigado a retornar para sua cidade natal em busca de paz.

A lida do personagem vivido por Wagner Moura é ainda mais interessante por todo o cenário que o cerca. No enredo, estão referências culturais curiosas, como o tradicional Cinema São Luiz, a lenda do Perna Cabeluda, a troça carnavalesca Pitombeira dos Quatro Cantos e até um dilema para lá de nordestino: “raparigou ou não raparigou?”

Thriller pernambucano acumulou prêmios

Brasileiríssimo, o filme prendeu mesmo os ‘gringos’ na tela. Em Cannes, no ano passado, O Agente Secreto venceu as categorias de Melhor Diretor, para Kleber Mendonça Filho, e Melhor Ator, para Wagner Moura.

A produção também ganhou o Prêmio FIPRESCI (Federação Internacional de Críticos de Cinema) e o Prêmio Art et Essai e concorreu na principal lista, a Palma de Ouro, mas não levou a estatueta para a casa.

A participação no circuito francês foi só um aperitivo do tão falado molho brasileiro. Em quase um ano de campanha, o longa acumulou mais de 50 vitórias em uma campanha internacional impressionante, marcando a boa fase do cinema nacional em uma ‘dobradinha’ com seu antecessor, Ainda Estou Aqui.

O Agente Secreto levou estatuetas no Festival de Cinema de Lima, em Biarritz, Zurique, Colônia, Hamburgo, Málaga e diversos outros eventos importantes no circuito do audiovisual internacional.

Antes do Globo de Ouro, um dos pontos altos da campanha brasileira para o Oscar foi a conquista da estatueta de Melhor Filme Internacional no Critics Choice Awards 2026. A entrega do prêmio, no entanto, chamou a atenção por um motivo negativo.

Por Terra 

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