Cruzeiro do Sul voltou a chamar atenção pelos números relacionados à violência sexual em 2025. Entre janeiro e outubro, o município somou 172 registros de estupro, colocando-se como o segundo com maior quantidade de ocorrências no Acre. Esse volume representa quase 18% de todos os casos contabilizados no estado no mesmo período.

As informações foram extraídas neste sábado (22) do Painel de Acompanhamento de Estupros e Estupros de Vulneráveis do Ministério Público do Acre (MPAC). O levantamento mostra que a violência sexual tem avançado de forma consistente nos últimos anos e que 2025 já se destaca negativamente. O Acre acumulou 956 registros nos dez primeiros meses do ano, o maior número para esse intervalo de tempo em cinco anos. Mesmo sem os dados de novembro e dezembro, o total já se aproxima das estatísticas de anos anteriores, sugerindo a possibilidade de novo recorde.
O painel também indica que a maior parte das vítimas é formada por crianças e adolescentes. Mais de 80% das ocorrências envolvem pessoas consideradas vulneráveis, enquanto menos de 20% se referem a vítimas adultas. Esse recorte evidencia um cenário ainda mais delicado e reforça a necessidade de articulação entre os órgãos responsáveis pela proteção da infância e da juventude.
A tendência de crescimento vem sendo observada desde 2021. Naquele ano, o estado registrou pouco mais de 500 casos. Desde então, as estatísticas aumentam ano após ano, chegando em 2025 ao maior patamar da série, com 956 ocorrências de janeiro a outubro. Mantido o ritmo atual, o ano deve ultrapassar todos os anteriores.
Diante desse cenário, especialistas e instituições de proteção social apontam que políticas de prevenção, mecanismos de denúncia e fortalecimento da rede de atendimento precisam ser ampliados com urgência. Em municípios como Cruzeiro do Sul, onde a incidência é alta, a ampliação das ações de enfrentamento pode ser determinante para impedir que a curva continue subindo.






