O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na sexta-feira (9) que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, concordou em liberar grandes volumes de diesel para abastecer os mercados americano e internacional. Segundo o republicano, as entregas começarão imediatamente e poderão alcançar milhões de toneladas nos próximos meses.
O anúncio ocorre em meio à alta dos combustíveis, impulsionada pela guerra envolvendo os Estados Unidos e o Irã e pela escalada dos conflitos entre Rússia e Ucrânia.
Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou ter concluído uma conversa “extremamente proveitosa” com Putin e detalhou os volumes que, segundo ele, foram prometidos pelo governo russo.
De acordo com o presidente americano, serão liberadas mais de 300 mil toneladas de diesel imediatamente, outras 500 mil toneladas em novembro e mais 1 milhão de toneladas na sequência. O volume poderá aumentar em outros 3 milhões de toneladas, dependendo das condições das refinarias russas.
Trump declarou que o fornecimento, somado ao que chamou de controle americano do Estreito de Ormuz, deverá provocar uma queda expressiva nos preços do diesel.
“Os preços do diesel para os americanos e, de fato, para o mundo, cairão em números recordes rapidamente!”, escreveu.
O presidente também reafirmou que impedir o Irã de obter armas nucleares continua sendo um dos objetivos de seu governo. Segundo ele, a redução dos preços dos combustíveis é uma prioridade, especialmente para agricultores, pecuaristas e caminhoneiros dos Estados Unidos.
EUA autorizam transações envolvendo diesel russo
Após o anúncio de Trump, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), ligado ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, emitiu uma licença geral autorizando transações relacionadas à venda, entrega, descarga e importação de diesel de origem russa, inclusive para os Estados Unidos.
A autorização tem validade até as 0h01 de 7 de abril de 2027, pelo horário de verão da costa leste americana, e abrange operações que poderiam ser proibidas pelas regulamentações de sanções contra a Rússia.
A licença, entretanto, não permite débitos em contas mantidas em instituições financeiras americanas pertencentes ao Banco Central da Rússia, ao Fundo Nacional de Riqueza russo ou ao Ministério das Finanças do país.
Restrições russas podem dificultar o fornecimento
Apesar do anúncio, ainda não foram divulgados detalhes sobre os mecanismos de entrega, os prazos logísticos ou as condições comerciais para o fornecimento do combustível.
Outro ponto de atenção é que a Rússia mantém restrições às exportações de diesel. Em julho, após ataques ucranianos contra instalações energéticas russas, Moscou impôs uma proibição às exportações do produto, posteriormente prorrogada até o fim de outubro.
Até o momento, não há informações detalhadas sobre uma eventual exceção à medida, a origem dos volumes prometidos ou como o combustível será transportado até os compradores internacionais.
As sanções impostas à Rússia desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia também representam obstáculos às operações comerciais e financeiras do setor energético russo.
No início deste ano, Trump já havia flexibilizado temporariamente determinadas sanções contra Moscou em uma tentativa de conter a alta dos preços do petróleo.
Guerra pressiona mercado internacional de energia
A escalada dos preços dos combustíveis também está relacionada à guerra com o Irã, iniciada em fevereiro, conforme as informações divulgadas sobre o conflito.
Desde o início da guerra, o preço do diesel teria aumentado quase 70%, elevando os custos de transporte e produção e ampliando as preocupações com a inflação mundial.
Nas últimas semanas, a intensificação dos confrontos entre Rússia e Ucrânia também contribuiu para a pressão sobre o mercado internacional de energia.
Embora Trump preveja uma queda rápida e expressiva dos preços, o impacto efetivo do fornecimento anunciado dependerá da confirmação dos volumes, das condições de entrega e da capacidade de o combustível chegar aos mercados consumidores.
Até que esses detalhes sejam esclarecidos, a previsão de redução recorde dos preços permanece uma expectativa declarada pelo presidente americano, e não um resultado confirmado.





