O homem apontado pelas autoridades alemãs como responsável pelo ataque ocorrido durante a Parada do Orgulho LGBT de Berlim foi morto pela polícia neste domingo (26), após uma grande operação de busca.
Segundo a polícia, Abdul Ballout, de 21 anos, cidadão alemão de origem libanesa, foi baleado após avançar contra agentes com uma faca no distrito de Spandau, na zona oeste da capital alemã.
A operação encerrou uma intensa caçada iniciada na noite de sábado (25), quando uma van branca avançou contra uma multidão próxima ao Parque Tiergarten, pouco antes das 22h. Uma mulher morreu e pelo menos 29 pessoas ficaram feridas. Após o atropelamento, várias pessoas também teriam sido atacadas com golpes de faca.
O ministro do Interior da Alemanha, Alexander Dobrindt, afirmou que as evidências indicam um provável “ataque terrorista de motivação islamista”. De acordo com ele, o suspeito já era conhecido das autoridades por envolvimento em crimes anteriores, processo de radicalização e ligações com grupos extremistas.
Informações divulgadas pelo Ministério Público de Berlim apontam que Ballout viajou para o Líbano em maio de 2025, passando pela Turquia, com a intenção de se juntar ao grupo Estado Islâmico (EI) na Síria. Durante a estadia, ele teria mantido contato com pessoas que acreditava serem integrantes da organização terrorista.
Preso no Líbano em julho de 2025, foi condenado a três meses de prisão por incitação a conflitos religiosos e sectários. Após retornar à Alemanha, em novembro do mesmo ano, acabou detido no aeroporto de Berlim.
Em maio deste ano, Ballout foi condenado a um ano e dez meses de prisão por preparar um ato grave de violência contra o Estado. A pena, porém, teve a execução suspensa por seis meses, período em que ele passou a ser monitorado por um agente de liberdade condicional.
O suspeito também possuía antecedentes por agressão e roubo, incluindo uma condenação em 2022 e outra em 2020.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, visitou o local do ataque e participou de uma cerimônia em homenagem às vítimas. Em pronunciamento, afirmou que a Alemanha continuará defendendo a liberdade e a abertura da sociedade.
“Esses extremistas não têm lugar em nossa sociedade”, declarou.
As autoridades informaram que nenhum dos feridos permanece em estado crítico.
O ataque interrompeu as celebrações do Christopher Street Day, uma das maiores paradas do orgulho LGBT da Europa, que reúne centenas de milhares de pessoas nas ruas de Berlim todos os anos.
Apesar do clima de comoção, membros da comunidade LGBT realizaram uma vigília espontânea diante do Portão de Brandemburgo. Durante o ato, participantes condenaram o extremismo e prestaram homenagens às vítimas.
“Não vamos nos deixar abater”, afirmou o artista drag Armin Duenhoelter, que estava nos bastidores do evento quando o ataque aconteceu.






