O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não pretende reconhecer Flávio Bolsonaro (PL) como líder do Brasil, segundo informações publicadas pela agência internacional Reuters nesta sexta-feira (30). Fontes ouvidas pela agência afirmam que, apesar de o senador ter recebido apoio para entrar nos Estados Unidos, a Casa Branca não planeja respaldar suas pretensões políticas.
Flávio está em Miami desde quarta-feira (28), após deixar o Brasil acompanhado da esposa e das duas filhas. A viagem ocorreu dois dias depois de perder a disputa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva.
Após chegar aos Estados Unidos, o senador publicou uma carta na qual se apresentou como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, retirou a expressão e passou a se definir como “líder do Brasil”.
De acordo com interlocutores ouvidos pela Reuters, a administração norte-americana avalia que apoiar publicamente essa declaração poderia provocar uma nova crise diplomática entre os dois países. A agência ressalta, porém, que Donald Trump ainda pode mudar de posição.
Saída do Brasil e situação judicial
A saída de Flávio ocorreu em meio a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinava a retenção de seus passaportes após um pedido da Polícia Federal. A solicitação foi fundamentada na avaliação de risco de fuga apresentada pela investigação.
Apesar da determinação, o senador deixou o país utilizando um passaporte italiano. Segundo as informações divulgadas, ele cruzou a fronteira com a Argentina pela Ponte da Fraternidade, em Foz do Iguaçu (PR), e embarcou posteriormente em um avião particular com destino ao Equador. De lá, seguiu para Miami.
O voo teria sido organizado por Jason Miller, assessor de comunicação ligado ao governo Trump, que confirmou participação na viagem. O Departamento de Estado norte-americano também informou que concederia vistos a Flávio e seus familiares.
Nos últimos dias, Trump fez críticas ao processo eleitoral brasileiro e levantou suspeitas sobre o resultado, sem apresentar provas. Mesmo assim, quando questionado por jornalistas sobre quem reconhecia como presidente legítimo do Brasil, o republicano evitou dar uma resposta direta.
A Reuters afirma que, neste momento, a Casa Branca demonstra cautela para não ampliar as tensões diplomáticas com o governo brasileiro.





