A Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, no Acre, registrou 15,2 km² de área desmatada em 2026 e ocupa a terceira posição entre as unidades de conservação federais da Amazônia com maior desmatamento no ano. Os dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram divulgados nesta sexta-feira (23) pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O resultado chama a atenção porque ocorre em um ano de redução do desmatamento nas unidades de conservação federais da Amazônia Legal. Em 2026, essas áreas registraram 111 km² desmatados, contra 134 km² em 2025, uma queda de 17%. Esse é o menor índice da série histórica, iniciada em 2008.
Resex Chico Mendes está entre as áreas mais pressionadas
A unidade acreana aparece atrás apenas da Floresta Nacional (Flona) de Altamira, no Pará, que registrou 27,8 km² de desmatamento, e da Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós, também no Pará, com 16,2 km².
Na sequência, aparecem a Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, com 12,1 km², e o Parque Nacional do Juruena, localizado entre Mato Grosso e Amazonas, com 5,4 km² de área desmatada.
Juntas, as cinco unidades de conservação concentraram 76 km² de desmatamento, o equivalente a 69% de toda a área desmatada nas unidades federais da Amazônia em 2026.
Desmatamento também diminuiu no Acre
Apesar da posição da Resex Chico Mendes no ranking, os dados apontam uma redução do desmatamento quando considerado todo o território acreano inserido na Amazônia, e não apenas as unidades de conservação federais.
Segundo dados do Prodes divulgados anteriormente pelo governo federal, a área desmatada no Acre caiu de 324 km² no período de 2024/2025 para 252 km² em 2025/2026. A redução foi de 22,2%.
Com esse resultado, o estado ficou atrás do Pará, que registrou 1.130 km² de desmatamento; de Mato Grosso, com 849 km²; do Amazonas, com 525 km²; e de Roraima, com 286 km².
Em toda a Amazônia, o desmatamento somou 3.335 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026. O número representa uma redução de 41,8% em relação aos 5.731 km² registrados no período anterior e corresponde ao menor índice da série histórica do Prodes, iniciada em 1988.
Desmatamento nas unidades federais caiu 82% desde 2021
O levantamento do ICMBio também mostra uma queda expressiva do desmatamento nas unidades de conservação federais da Amazônia Legal nos últimos anos.
Em 2021, foram registrados 618 km² de áreas desmatadas, o maior índice da série histórica iniciada em 2008. Em 2026, o número caiu para 111 km², uma redução de 82%.
De acordo com o instituto, os dados ajudam a identificar as áreas submetidas à maior pressão ambiental e a direcionar ações de fiscalização e proteção da floresta.
O ICMBio administra cerca de 150 unidades de conservação federais na Amazônia, responsáveis pela proteção de mais de 64 milhões de hectares.





