Após mais de um ano afastada das competições para recuperar o corpo e a mente, Rebeca Andrade voltou a mostrar por que é uma das principais referências da ginástica artística mundial.
Aos 27 anos, a campeã olímpica e mundial retomou as disputas em junho e, pouco mais de um mês depois, alcançou a maior nota do mundo no salto em 2026. Na última sexta-feira (7), durante o Campeonato Brasileiro, em Brasília, a ginasta recebeu 14,800 pontos ao executar um Yurchenko com dupla pirueta.
O resultado aumentou a confiança da brasileira, que agora trabalha para recuperar saltos de maior dificuldade e chegar ainda mais preparada ao Mundial de Roterdã, na Holanda, marcado para ocorrer entre os dias 17 e 25 de outubro.
“Estou feliz demais com a minha volta. Em algumas semanas já melhorei minha dupla pirueta, então fiquei muito orgulhosa com o resultado”, afirmou Rebeca. Segundo ela, a evolução aumenta a segurança para voltar a executar movimentos mais complexos, como o Cheng e o Amanar.
Rebeca ainda pode aumentar a dificuldade
Apesar de ter alcançado a maior nota do mundo no salto em 2026, Rebeca ainda tem margem para evoluir no aparelho.
O Yurchenko com dupla pirueta apresentado em Brasília possui 5,0 pontos de dificuldade no atual código de pontuação. A nota é inferior à dos dois principais saltos que fizeram parte das conquistas da brasileira nos Jogos Olímpicos de Tóquio e Paris.
O Cheng é considerado o principal salto de Rebeca. O movimento começa com um rodante e uma meia volta na primeira fase do voo, seguido por uma pirueta e meia na segunda. Atualmente, o elemento tem 5,6 pontos de dificuldade.
Já o Amanar é uma variação do Yurchenko com dupla pirueta e meia, acrescentando meia rotação em relação ao salto executado por Rebeca no Campeonato Brasileiro. O elemento possui 5,4 pontos de dificuldade.
Brasileira precisa apresentar dois saltos para disputar medalhas
Em Brasília, Rebeca apresentou apenas um salto. Para disputar a final individual do aparelho, entretanto, é necessário executar dois saltos diferentes.
Na estreia da temporada, durante o Campeonato Pan-Americano, a brasileira competiu com um Yurchenko com dupla pirueta e um Lopez. O segundo movimento é semelhante ao Cheng, mas possui meia pirueta em vez de uma pirueta e meia e tem 4,8 pontos de dificuldade.
Rebeca foi campeã do salto no Pan-Americano e terminou a competição com média de 14,266 pontos, a segunda maior média registrada no mundo em 2026 até então. A liderança pertencia à americana Jade Carey, com média de 14,300 pontos.
Próximos desafios antes do Mundial
O Brasil terá duas competições importantes em setembro: os Jogos Sul-Americanos de Santa Fé, na Argentina, e uma etapa da Copa do Mundo em Szombathely, na Hungria.
A tendência é que Rebeca seja convocada para a competição na Hungria. A participação poderá servir também como período de aclimatação em solo europeu antes do Mundial de Roterdã.
A competição na Holanda terá importância especial porque será o primeiro evento do ciclo pré-olímpico a distribuir vagas antecipadas para as equipes medalhistas.
O Brasil conquistou a medalha de bronze por equipes nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 e foi vice-campeão mundial por equipes em 2025, último Mundial realizado com disputas coletivas.
Foco está em Los Angeles, mas com etapas pelo caminho
Rebeca reconhece que o grande objetivo do ciclo é chegar aos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028, mas destaca que a preparação precisa ser construída competição por competição.
A ginasta afirma que o foco imediato está em manter a saúde, recuperar a confiança e evoluir tecnicamente, deixando os resultados como consequência do trabalho.
“Claro que a gente pensa em Los Angeles, óbvio, mas a gente entende que tem etapas. A gente precisa se sair bem lá, lógico. Tenho certeza de que todas nós faremos nosso 110% para ter nosso melhor resultado”, afirmou.
Para Rebeca, estar feliz, saudável e confiante é parte fundamental do processo de preparação.
“Mas o foco mesmo é estar bem, feliz, saudável, muita firmeza, muita alegria, porque o resultado é consequência. Então, se a gente estiver feliz para fazer da melhor forma possível, acho que ele vem”, completou.
Com a volta gradual às competições e a evolução apresentada em poucas semanas, Rebeca Andrade chega ao segundo semestre de 2026 novamente entre as principais atletas do mundo e com tempo para aumentar a dificuldade de seus saltos antes do Mundial de Roterdã.





