A Polícia Civil de São Paulo recuperou oito das 13 obras de arte roubadas da Biblioteca Mário de Andrade, no Centro da capital paulista. As gravuras do pintor francês Henry Matisse foram encontradas na quinta-feira (13), em um imóvel localizado em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
As obras recuperadas, avaliadas em mais de R$ 1 milhão, pertencem à série “Jazz”, produzida por Matisse em 1947.
A operação foi realizada pela 1ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco), que investiga o roubo ocorrido em dezembro de 2025, durante a exposição “Do livro ao museu: MAM São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade”.
Uma pessoa foi presa em flagrante por receptação. No imóvel onde as obras foram encontradas, os policiais também apreenderam uma arma de fogo. O suspeito deverá responder ainda por posse ilegal de arma.
Obras recuperadas
As oito gravuras de Matisse localizadas pela polícia são:
- O Palhaço (Le Clown);
- O Circo (Le Cirque);
- Senhor Leal (Monsieur Loyal);
- O Pesadelo do Elefante Branco (Cauchemar de l’Éléphant Blanc);
- Os Codomas (Le Codomas);
- O Nadador no Aquário (La Nageuse dans l’Aquarium);
- O Engolidor de Espadas (L’Avaleur de Sabres);
- O Cowboy (Le Cowboy).
As peças foram formalmente entregues à representante da Biblioteca Mário de Andrade por meio de um Auto de Entrega elaborado pela Polícia Civil.
A Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de São Paulo informou que acompanhará os procedimentos técnicos para avaliar o estado de conservação das gravuras antes de reintegrá-las ao acervo da biblioteca.
O órgão também afirmou ter adotado medidas para reforçar os protocolos de segurança da instituição e ampliar a proteção do patrimônio cultural.
Cinco obras continuam desaparecidas
Apesar da recuperação das gravuras de Matisse, cinco obras ainda não foram localizadas.
Trata-se de gravuras do artista brasileiro Candido Portinari, relacionadas à obra “Menino de Engenho”. A polícia trabalha com a hipótese de que essas peças tenham sido vendidas após o roubo.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o homem preso mantinha as obras recuperadas sob sua guarda para o mandante do crime.
Roubo foi planejado
O crime ocorreu em dezembro de 2025. Segundo as investigações, dois homens armados invadiram a Biblioteca Mário de Andrade, renderam uma vigilante e um casal de idosos que visitava o local e fugiram em direção à estação Anhangabaú do metrô.
As investigações apontam que o grupo atuava de maneira organizada e teria planejado previamente a ação.
O suposto mandante já havia sido preso preventivamente pela Polícia Federal do Rio de Janeiro, em abril deste ano, em outra investigação envolvendo obras de arte. Ele também é apontado como idealizador do roubo à biblioteca.
Em maio, foram cumpridos mandados de prisão e 11 de busca e apreensão em imóveis de São Paulo, São Bernardo do Campo, Diadema e Rio de Janeiro.
A Polícia Civil continua investigando o paradeiro das cinco obras que permanecem desaparecidas e a participação de outros envolvidos no esquema.





