Piloto americano abatido no Irã relata fuga e resgate por forças especiais dos EUA

O militar americano resgatado após ser abatido no Irã em abril revelou, pela primeira vez, detalhes da operação que mobilizou centenas de militares e agentes de inteligência dos Estados Unidos. O relato foi feito em entrevista exibida pelo programa “60 Minutes”, neste domingo (13).

Conhecido pelo codinome “Bravo”, utilizado durante a entrevista para preservar sua identidade, o militar contou que o avião foi atingido e que seu paraquedas acabou danificado durante a queda.

Segundo ele, enquanto caía, tentou fazer o possível para abrir ou puxar partes do equipamento. “Foi a coisa mais aterrorizante que já vi”, afirmou.

A queda provocou fraturas na coluna, em um braço e em um ombro. O militar também sofreu uma torção no tornozelo e ferimentos com sangramento na cabeça e no rosto.

Depois de ejetar do F-15, “Bravo” conseguiu evitar ser localizado pelas forças iranianas que se aproximavam. Mesmo gravemente ferido, ele subiu uma montanha de aproximadamente 2.100 metros de altitude.

Na fuga, o militar tinha pouco mais do que uma pistola, um dispositivo de comunicação e um sinalizador de localização.

Enquanto o piloto da aeronave foi resgatado pouco tempo depois da queda, “Bravo” permaneceu escondido por cerca de 50 horas.

“Assim que encontrei um lugar que achei que oferecia algum tipo de proteção, comecei a tentar estabelecer comunicação”, relatou à apresentadora Norah O’Donnell.

Segundo ele, em determinado momento conseguiu enviar uma mensagem: “Deus é bom”.

Operação envolveu centenas de agentes

“Bravo” contou que passou horas escondido sozinho em uma fenda na montanha enquanto militares americanos de elite tentavam localizá-lo. Aeronaves dos Estados Unidos chegaram a lançar bombas para limpar a área durante a operação.

O resgate mobilizou centenas de militares e agentes de inteligência americanos, incluindo integrantes da Delta Force, do Exército, e da SEAL Team Six, da Marinha.

Antes da operação, agentes da CIA realizaram uma campanha de desinformação para tentar despistar as autoridades iranianas, que haviam oferecido uma recompensa pela captura do militar.

Imagens do Pentágono, posteriormente desclassificadas e exibidas pela CBS, mostraram integrantes de uma equipe de resgate da Força Aérea americana avançando em direção ao militar para retirá-lo da região.

“Bravo” preferiu não revelar o que os militares disseram quando finalmente chegaram até ele.

Aviões foram destruídos durante a retirada

A operação também enfrentou problemas durante a retirada. Dois aviões de transporte de operações especiais MC-130J, que aguardavam para retirar os comandos e o militar resgatado do país, foram danificados.

O incidente deixou temporariamente mais de 90 integrantes das forças especiais isolados na região.

Após o resgate de todos os militares, os Estados Unidos decidiram destruir as duas aeronaves danificadas para evitar que fossem capturadas pelas forças iranianas. Novos aviões foram enviados para concluir a retirada.

Entrevista gerou resistência

A participação dos militares na entrevista também foi cercada de controvérsia. Segundo relatos, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, e autoridades políticas da pasta pressionaram os dois integrantes da tripulação a participarem da conversa.

Inicialmente, os dois demonstraram resistência. Autoridades militares também manifestaram preocupação com a possibilidade de informações classificadas sobre a operação serem reveladas.

O piloto da aeronave se recusou a participar.

Sean Parnell, principal porta-voz do Pentágono, negou que tenha havido pressão e classificou como falsa a informação de que os militares teriam sido obrigados a participar.

Segundo ele, a decisão foi tomada individualmente por cada piloto e o Departamento de Defesa adotou medidas para proteger informações sobre segurança operacional, fontes e métodos.

“Um dos maiores momentos da minha vida”

Ao recordar o momento em que os militares americanos finalmente chegaram até ele no alto da montanha, “Bravo” afirmou que a experiência permanecerá marcada em sua vida.

Segundo o militar, ver os resgatadores surgindo no local onde estava escondido foi “um dos maiores momentos” de sua vida.

Ele afirmou que não sabia como demonstrar sua gratidão diante da operação realizada para retirá-lo do território iraniano, além de simplesmente agradecer aos militares envolvidos.

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