Petróleo dispara e supera US$ 111 com escalada de conflitos no Oriente Médio

O preço do petróleo disparou nesta terça-feira (20) e atingiu o maior nível desde maio, impulsionado pela intensificação dos conflitos no Oriente Médio e pelo temor de interrupções no fornecimento global da commodity.

O barril do Brent, referência internacional do petróleo, chegou a ser negociado a US$ 111,20, com alta de 1,5%. Por volta das 8h20, a cotação alcançou US$ 111,75, em meio a relatos de ataques contra embarcações no Golfo e instalações estratégicas da Arábia Saudita.

Já o West Texas Intermediate (WTI), referência do mercado norte-americano, chegou a US$ 110 durante a sessão, atingindo o maior patamar desde abril para um contrato de vencimento próximo. Posteriormente, era negociado a US$ 109,08, com valorização de 5,2%.

A alta reflete o aumento do risco geopolítico e a preocupação dos investidores com possíveis danos à infraestrutura energética e dificuldades no transporte de petróleo. A incerteza sobre o abastecimento tem mantido as cotações acima de US$ 100 por barril.

Ataques ampliam preocupação com o abastecimento

A pressão sobre os preços aumentou após os rebeldes houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, afirmarem na segunda-feira (19) que realizaram ataques contra instalações energéticas, aeroportos e alvos militares da Arábia Saudita.

Entre os locais mencionados pelo grupo estão uma instalação da petrolífera Saudi Aramco em Yanbu, o campo de petróleo de Shaybah, o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, e o aeroporto de Abha.

As autoridades sauditas não confirmaram imediatamente as alegações, e os ataques não haviam sido verificados de forma independente, segundo as informações divulgadas.

A insegurança também atinge o transporte marítimo. Dados da empresa de monitoramento de embarcações Kpler indicaram que pelo menos 18 navios teriam sido atacados em um período de duas semanas, aumentando a preocupação com a segurança das rotas comerciais da região.

Mercado acompanha estoques dos Estados Unidos

Além do cenário geopolítico, investidores acompanham os indicadores de oferta e demanda nos Estados Unidos. Uma pesquisa preliminar da Reuters apontou que analistas esperavam uma redução nos estoques norte-americanos de petróleo bruto na semana anterior, além de quedas nas reservas de derivados.

A possível diminuição dos estoques pode contribuir para sustentar as cotações, ao indicar menor disponibilidade imediata do produto no mercado.

Analistas avaliam que os preços continuarão pressionados enquanto persistir o risco de interrupções no fornecimento. Caso o transporte e a produção permaneçam sem impactos significativos, o prêmio de risco incorporado às cotações poderá diminuir gradualmente.

Por enquanto, a combinação entre tensões militares, ameaças à infraestrutura energética e incertezas sobre o abastecimento mantém o petróleo em patamares elevados.

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