A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou o nível de risco do atual surto de ebola na República Democrática do Congo para “muito alto” em âmbito nacional. O alerta foi divulgado após o aumento de casos em áreas urbanas e da preocupação com a possibilidade de disseminação para países vizinhos, como Uganda.
Segundo a OMS, a mudança na classificação ocorreu devido à dificuldade de conter rapidamente a transmissão do vírus e às fragilidades do sistema de saúde congolês. Até o momento, foram confirmados 82 casos da doença, além de aproximadamente 750 casos suspeitos e 177 mortes em investigação.
O diretor regional da OMS para a África, Mohamed Yakub Janabi, afirmou que o cenário exige atenção internacional e não deve ser subestimado. Autoridades de saúde avaliam ainda que o vírus pode ter circulado por cerca de dois meses antes da identificação oficial do surto.
A doença avança em regiões afetadas por conflitos armados, deslocamentos populacionais e dificuldades de acesso aos serviços de saúde, fatores que dificultam o monitoramento e o controle da transmissão.
Outro ponto de preocupação envolve a cepa Bundibugyo, identificada no atual surto. De acordo com a OMS, não existe vacina específica aprovada para essa variante do vírus, o que pode dificultar as estratégias de contenção.
O que é o ebola
O ebola é uma doença viral grave que provoca febre hemorrágica e pode causar falência múltipla de órgãos. A transmissão ocorre por contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas infectadas ou mortas pela doença.
Entre os principais sintomas estão:
- febre alta súbita;
- dores musculares intensas;
- fraqueza extrema;
- dor de cabeça;
- vômitos e diarreia;
- sangramentos.
A OMS reforça que surtos de ebola exigem resposta rápida devido ao alto potencial de transmissão em locais sem controle adequado de infecção.
Brasil reforça vigilância
No Brasil, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que reforçou a vigilância epidemiológica após o alerta internacional. Hospitais e unidades de saúde foram orientados a redobrar atenção para pacientes com sintomas compatíveis e histórico recente de viagem às áreas afetadas.
Segundo o governo paulista, não há casos confirmados de ebola no Brasil atualmente, mas a vigilância permanece ativa devido à circulação internacional de pessoas.
O surto reacende preocupações globais porque epidemias anteriores da doença tiveram forte impacto. Entre 2014 e 2016, a África Ocidental enfrentou a maior crise sanitária causada pelo ebola, com mais de 11 mil mortes registradas, conforme dados da OMS.






