
Redação Juruá Online
Na manhã desta quarta-feira, 30, dezenas de moradores do Ramal do Escondido, em Cruzeiro do Sul, realizaram uma manifestação em frente à sede da prefeitura para cobrar melhorias na estrada que dá acesso à comunidade rural, que abriga mais de 100 famílias.
Francisca Menezes, de 53 anos, moradora da comunidade há cerca de uma década, relata a experiência compartilhada entre os moradores do ramal. “No inverno, eu ando com água no meio da canela, carregando tudo nas costas. O produto estraga porque não tem como tirar. Eu vendo banana, macaxeira, mamão, mas já perdi muita coisa. Só queremos dignidade.”
A principal queixa dos manifestantes é a falta de trafegabilidade durante o período chuvoso. Segundo eles, a precariedade das estradas inviabiliza o escoamento da produção agrícola e impede o acesso a serviços básicos como saúde e educação.
“Quando chove, a gente fica ilhado. Ninguém entra e ninguém sai. É como se a gente estivesse isolado do mundo. Se alguém passar mal, só um helicóptero salva”, relatou Osmildo Lima Sabino, morador há três anos.
Já o agricultor José Pedro Souza Batista, que vive na região há um ano e meio, destacou que as promessas feitas durante o período eleitoral não foram cumpridas. “O prefeito disse que estavam garantidos nove quilômetros de aterro e três poços artesianos. Até agora, nada. A gente continua bebendo água de igarapé e pisando na lama.”
Os manifestantes alertaram ainda que, caso não haja resposta concreta, o protesto poderá ser intensificado nos próximos dias, com ocupação permanente em frente à prefeitura. “Hoje é só um formigueiro. Mas se não resolverem, a gente traz comida, fogão, as crianças. Vamos ficar”, afirmou José Pedro.
Poder público responde
Em entrevista, o secretário municipal de Obras, Carlos Alves, disse que a prefeitura já realizou a reabertura de 14 km do ramal com trator de esteira e motoniveladora, mas que a etapa mais robusta das obras, como drenagem e aterro vegetal, é de responsabilidade do Estado, por meio do DERACRE.
“O município fez o que estava ao seu alcance. A parte mais pesada depende de uma licitação do governo estadual, que teve recurso interposto, o que atrasou o início das obras. O dinheiro está com o Estado, mas precisa da liberação para a empresa contratada iniciar os serviços”, explicou o secretário.
O gerente do DERACRE no Juruá, Mauri Barbosa, confirmou que a obra está contemplada com recursos federais e que o processo está em fase final de licitação. “O projeto inclui levantamento de greide, drenagem, construção de pontes e bueiros. Se tudo ocorrer como previsto, até o final de agosto a ordem de serviço será assinada e a empresa iniciará as obras”, garantiu.
Ele também esclareceu que, na divisão de responsabilidades, parte do ramal cabe ao município e a outra ao Estado. Enquanto a licitação não for concluída, a prefeitura deve continuar com as ações paliativas para garantir o mínimo de acesso.
Apesar das promessas e explicações técnicas, os moradores dizem que não podem esperar. “A gente não quer luxo, a gente quer cumprir o nosso papel de produtor. A gente planta, a gente colhe, mas sem estrada, tudo se perde. O combinado não é caro. Só queremos o que foi prometido”, concluiu Francisca Menezes.






