Mesmo após queda, Acre pode registrar nova alta em crimes sexuais contra menores em 2026

Um levantamento da Polícia Civil do Acre revela um cenário preocupante envolvendo crimes sexuais contra crianças e adolescentes no estado. Entre 2024 e os três primeiros meses de 2026, foram contabilizadas 227 vítimas de estupro, estupro de vulnerável e importunação sexual.

Embora tenha havido redução no total de registros de 2024 para 2025 — passando de 125 para 75 casos — os dados mais recentes indicam uma possível reversão dessa tendência. Somente no primeiro trimestre de 2026, já foram registrados 27 casos. Mantido esse ritmo, a projeção é que o ano encerre com cerca de 108 ocorrências, número superior ao do ano passado.

A análise mensal aponta crescimento no início de 2026. Em janeiro, foram 7 casos, acima dos 5 registrados em 2024 e 3 em 2025. Em fevereiro, o salto foi ainda mais significativo, chegando a 11 ocorrências, contra 7 nos dois anos anteriores. Março também apresentou aumento, com 9 registros.

Outro dado que chama atenção é a concentração dos casos no interior do estado. Em todos os períodos analisados, os municípios fora da capital lideram o número de ocorrências. Em 2024, foram 72 casos no interior e 53 em Rio Branco. Em 2025, 44 contra 31. Já em 2026, até março, são 16 no interior e 11 na capital.

Entre os municípios, Rio Branco lidera os registros ao longo dos anos, seguido por Cruzeiro do Sul e Sena Madureira. Algumas cidades apresentaram crescimento recente, como Feijó, que já soma 6 casos apenas em 2026, e Tarauacá, que voltou a registrar ocorrências após dois anos sem notificações.

O perfil das vítimas mostra predominância de adolescentes entre 12 e 17 anos. Em 2024, foram 98 vítimas nessa faixa etária; em 2025, 68; e em 2026, até março, 25 casos. Crianças de até 11 anos também aparecem nas estatísticas, embora em menor número.

Os dados ainda indicam que a maioria das vítimas é classificada como parda, embora haja uma quantidade significativa de registros sem identificação étnico-racial.

As informações foram obtidas a partir do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) e organizadas pelo setor de inteligência da Polícia Civil. O levantamento reforça a necessidade de políticas públicas mais efetivas, além de ações de prevenção e combate à violência sexual contra menores em todo o estado.

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