O Acre registrou 27 casos de estupro de adolescentes entre janeiro e março deste ano, segundo dados da Polícia Civil. No mesmo período, o estado contabilizou 123 casos de estupro de vulnerável, que incluem vítimas de até 14 anos.
Diante dos números, o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) lançou a campanha “Infância Protegida”, dentro da mobilização do Maio Laranja, mês de enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes.
A iniciativa prevê a realização de um mutirão com 152 audiências envolvendo casos de estupro, com o objetivo de acelerar a tramitação dos processos e ampliar o número de julgamentos.
As audiências estão distribuídas entre diferentes comarcas: 44 na 2ª Vara da Infância e Juventude de Rio Branco, 34 na Vara Criminal de Tarauacá e 18 na Vara da Infância e Juventude de Cruzeiro do Sul.
Segundo a Justiça, a proposta é dar mais agilidade às respostas judiciais em casos de violência sexual contra crianças e adolescentes, além de reforçar a rede de proteção.
Em entrevista à Rede Amazônica Acre, a coordenadora da Infância e Juventude, desembargadora Regina Ferrari, destacou que muitas das violações acontecem dentro do próprio ambiente familiar.
“Temos que dizer não à violência contra a criança e ao abuso sexual. Muitas vezes é no próprio lar onde ela mais precisa de proteção e acaba sendo violada”, afirmou.
O corregedor-geral de Justiça, desembargador Nonato Maia, também reforçou que o objetivo da campanha é unir conscientização e medidas práticas para acelerar a responsabilização dos envolvidos.
“Além de conscientizar a sociedade, buscamos soluções concretas, viabilizando audiências e julgando processos em que crianças são vítimas”, explicou.
Os dados mais recentes seguem uma tendência de alta nos últimos anos. Em 2025, o Acre registrou 572 casos de estupro, sendo 452 envolvendo vítimas consideradas vulneráveis, segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). A maior parte das vítimas é do sexo feminino.






