Madeira despenca e soja perde força nas exportações do Acre em 2026

Os dados do comércio exterior do Acre no primeiro quadrimestre de 2026 revelam uma mudança importante na composição da pauta exportadora do estado. Embora o saldo comercial permaneça positivo, observa-se desaceleração das exportações, forte crescimento das importações e mudanças relevantes no desempenho dos principais grupos de produtos exportados. Enquanto cadeias ligadas ao agroextrativismo e à proteína bovina ampliam participação, setores tradicionais, como madeira tropical e soja, apresentam perda de dinamismo.

Exportações desaceleram e abril registra maior queda do período

  • O comércio exterior do Acre iniciou 2026 com leve retração nas exportações. Entre janeiro e abril, as vendas externas passaram de US$ 43,26 milhões em 2025 para US$ 40,65 milhões em 2026, queda de cerca de 6%. Em sentido oposto, as importações saltaram de US$ 690 mil para mais de US$ 1,08 bilhão.
  • O destaque negativo ficou para abril. As exportações caíram de US$ 16,91 milhões em abril de 2025 para US$ 11,72 milhões em abril de 2026, retração de aproximadamente 30,7%, sinalizando perda recente de fôlego das vendas externas acreanas.

Castanha e carne bovina avançam; madeira e soja recuam

A pauta exportadora acreana tornou-se mais concentrada em poucos segmentos. Os destaques positivos foram castanha e bovinos e derivados. A castanha cresceu 33,5%, passando de US$ 7,5 milhões para US$ 10 milhões. Já os bovinos e derivados avançaram 13%, consolidando-se como principal grupo exportador do estado, com US$ 14,5 milhões.

Por outro lado, madeira e derivados registraram queda de 51,6%, enquanto a soja recuou 35,7%. Suínos e derivados tiveram retração de 19,8%, e o milho caiu 26,9%. O movimento mostra perda de espaço de setores tradicionais e maior peso do agroextrativismo e da proteína animal nas exportações acreanas.

ra e soja, enfrentam perda de participação e retração de volume.

Os dados indicam que o futuro das exportações do Acre dependerá cada vez mais da capacidade de agregar valor, ampliar competitividade e atender às novas exigências do mercado internacional. Cadeias associadas ao manejo sustentável, industrialização e rastreabilidade tendem a ganhar espaço, enquanto setores menos adaptados podem continuar perdendo relevância no comércio exterior acreano.

Orlando Sabino escreve às sextas-feiras no Juruá Online

spot_img

Notícias relacionadas:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS