A terceira edição da Liga Indígena teve início nesta terça-feira reunindo representantes de 10 povos indígenas do Acre em Cruzeiro do Sul. Além das disputas esportivas, o evento promove rodas de conversa, palestras e intercâmbio cultural voltados ao fortalecimento da juventude indígena.
Segundo Saka Huni Kuin (Elvis Ferreira), integrante da organização, a Liga foi fundada em 2023 e realizou sua primeira edição em 2024. Desde então, o evento busca aproximar jovens indígenas que vivem tanto nos territórios quanto nas áreas urbanas.
Entre os temas debatidos ao longo das edições estão o uso de drogas entre a juventude indígena, as mudanças climáticas e, neste ano, o aliciamento de jovens por facções criminosas e os impactos do alcoolismo nas comunidades.
“Não é apenas uma competição esportiva. É um espaço de diálogo, intercâmbio cultural e fortalecimento da juventude indígena”, destacou Saka.
Ao todo, 12 equipes participam da competição, representando povos de diferentes municípios do estado. A programação também marca um momento histórico com a realização da primeira competição feminina da Liga Indígena.
Quatro equipes femininas disputam o torneio, com a participação de representantes dos povos Puyanawa, Huni Kuin e Xananawa. A inclusão da modalidade ocorreu após reivindicações apresentadas por lideranças e atletas indígenas durante a edição anterior, realizada em Feijó.
De acordo com a organização, a Liga conta com apoio de instituições e organizações indígenas, entre elas o Instituto Inu, a Federação do Povo Huni Kuin e a Associação dos Artesãos e Artesãs do Vale do Juruá. O Governo do Estado também colaborou com a disponibilização da estrutura para realização do evento.
Para o cacique Ninawa Huni Kuin, presidente da Federação Huni Kuin, a Liga vai além da prática esportiva e representa um importante espaço de valorização da juventude indígena.
“A Liga é um encontro entre famílias e jovens de vários povos. Trabalhamos a valorização da juventude, mostramos sua importância para as comunidades e debatemos temas relacionados aos direitos indígenas, ao esporte e à cultura”, afirmou.
Ninawa ressaltou ainda que a programação inclui atividades culturais e momentos de compartilhamento das tradições, línguas e expressões artísticas dos povos participantes.
“Mais do que uma competição, é um encontro. Um espaço para fortalecer a unidade, a cultura e fazer com que os jovens compreendam a importância que têm para a sociedade”, concluiu.





