Evento no Acre adota metodologia para compensar pegada de carbono e reúne especialistas em painel
A sustentabilidade e a transição para uma economia de baixo carbono deixaram de ser pautas do futuro para se tornarem compromissos do presente na Amazônia. Durante a realização do Inova Amazônia Summit, em Rio Branco, o evento não apenas debateu o assunto, mas aplicou na prática o conceito de neutralidade ao descarbonizar as suas atividades.
A iniciativa é viabilizada em parceria com a climatetech de descarbonização
Compensei, responsável por aplicar a metodologia MRC (Medir, Reduzir e Compensar) ao longo de toda a programação.
“O Carbono Neutro é um evento onde a gente a Compensei consegue medir e reduzir as emissões e compensar o impacto ambiental e climático. É a metodologia MRC: medir e reduzir e compensar. Primeiro a gente mede o quanto de emissão o evento está gerando desde o pré-evento, da seleção de fornecedores, montagem e desmontagem, e durante o evento a gente faz algumas ações para redução dessas emissões”, explicou João Vitor, analista de Inteligência Comercial.
As emissões de gases de efeito estufa (GEE) geradas pelo evento serão mapeadas e neutralizadas por meio de créditos. “O Sebrae está investindo em créditos de carbono dentro de um projeto da Amazônia, que é justamente esse que remove o carbono da atmosfera. O crédito de carbono equivale a uma tonelada de gás de efeito estufa removida da atmosfera.
Para engajar os visitantes, o evento disponibilizou o “Carbonômetro”, uma ferramenta acessível via QR Code nos crachás, permitindo que cada participante calcule sua pegada de carbono individual.
Além da medição, o evento estimulou atitudes sustentáveis como a gestão correta de resíduos, o uso de copos de papel e a substituição do plástico descartável por garrafas reutilizáveis.
“Hoje a nossa missão é impactar o máximo de pessoas, máximo de empresas e o máximo de eventos pra que todo mundo consiga avançar cada vez mais na ação climática. Essa iniciativa do Sebrae representa um grande passo e uma grande visibilidade principalmente para nossa Amazônia e para tantos microempreendedores que estão aqui trazendo produtos sustentáveis e trazendo inovação”, explicou.
Painel aborda oportunidades e integridade dos créditos verdes na Amazônia
Conectado às ações práticas de descarbonização do evento, o painel
“Mercado de carbono: oportunidades reais para a Amazônia, integridade e créditos verdes”reuniu especialistas para discutir os caminhos que transformam o potencial ambiental do bioma em resultados concretos para o território e para os pequenos negócios.
A moderação do painel foi conduzida por Elaine Novetti, analista técnica do Sebrae Nacional, especialista em gestão de pequenos negócios administração marketing e gestão de pessoas. O debate reuniu referências na área ambiental e de inovação.
Vilena Ribeiro, bióloga, doutora em Biodiversidade e CEO da Compensei, enfatizou o papel da ciência e o avanço institucional do Sebrae ao incorporar parâmetros de sustentabilidade nas diretrizes.
“Nós somos uma startup que trabalha com inovação aplicada à sustentabilidade. Então nós temos três eixos grandes de atuação fornecendo esses serviços tanto para empresas quanto para eventos e hoje é uma grande felicidade da gente estar aqui junto ao Sebrae Nacional como uma empresa licitada, o que significa que o Sebrae incorporou em todas em toda a sua concepção de eventos”, disse.
“Eu sempre falo que o impacto negativo, o que a gente tem que fazer é transformar em impacto positivo. Esse é o primeiro passo, já o segundo passo é reduzir as emissões a partir do momento que eu conheço da minha operação e do meu evento e o que eu posso fazer para reduzir ao máximo as emissões. Isso é muito importante, é mais um passo que está sendo dado para atendimento dessa agenda 2030”, continuou.
Contexto histórico e o papel do Brasil
Resgatando a trajetória global do mercado climáticos, Thiago Mendes lembrou que a estruturação desse mercado teve início com o Protocolo de Kyoto, em 1997. Mendes citou a participação brasileira em iniciativas históricas, como o projeto do Banco Mundial (Prototype Carbon Fund) no final dos anos 1990, que utilizou áreas degradadas e florestas plantadas para produção de carvão vegetal no setor siderúrgico.
“O Brasil chegou a ser o maior produtor de créditos de carbono do mundo entre 2003 e 2004, antes de ser ultrapassado por China e Índia. No entanto, a nossa principal vantagem comparativa — a capacidade de remoção de carbono pelas florestas tropicais — ainda precisa ser plenamente contemplada e valorizada”, destacou Thiago.
Tecnologia espacial e o monitoramento MRV
O engenheiro aeroespacial, pesquisador com certificação NASA e CEO da DivTER Amazon SarTec, Renan Santos detalhou como a tecnologia aeroespacial resolve gargalos históricos de medição e verificação na Amazônia através de geotecnologias e inteligência artificial.
“Trabalhamos com o radar de abertura sintética (SAR), capaz de mapear a biomassa e monitorar a floresta mesmo sob a cobertura de nuvens, que atinge até 70% do tempo na região. Desenvolvemos uma plataforma para viabilizar projetos de REDD+ com rapidez e transparência, cruzando dados de desmatamento, biomassa e riscos de incêndio”, explicou Renan.





