Grandes indústrias da Alemanha estão defendendo o retorno da jornada de trabalho de 40 horas semanais, cerca de quatro décadas após a adoção da carga horária de 35 horas para parte dos trabalhadores do setor industrial.
De acordo com reportagem do Financial Times, empresas como a Mercedes-Benz e a fabricante de ferramentas Stihl argumentam que os altos custos trabalhistas têm prejudicado a competitividade internacional da indústria alemã. A proposta prevê o aumento das horas trabalhadas sem alteração nos salários.
“O trabalho se tornou muito caro aqui em comparação internacional”, afirmou Martin Brudermüller, presidente do conselho de supervisão do Grupo Mercedes-Benz AG, em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt.
A jornada de 35 horas semanais para trabalhadores de setores como o metalúrgico e o automobilístico foi conquistada em 1984 por meio de acordos coletivos, após uma greve que durou sete semanas. Em outros segmentos da economia alemã, a carga horária já pode chegar a 40 horas por semana.
O debate ocorre em meio a discussões sobre produtividade e competitividade econômica na maior economia da Europa. Segundo dados do Eurostat, a jornada média de trabalho na União Europeia é de aproximadamente 37 horas semanais.
A discussão também acontece em um momento em que o Brasil debate a redução da jornada de trabalho. Nesta semana, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a proposta que reduz a carga horária semanal de 44 para 40 horas e prevê o fim da escala 6×1. O texto ainda precisa ser analisado pelo plenário da Casa após o primeiro turno das eleições.
Fonte: Metrópoles





