Incêndios florestais no Acre já destruíram mais de 100 mil hectares e ameaçam áreas de preservação

spot_img

Redação Juruá Online

Pesquisadores da Universidade Federal do Acre (Ufac) estão monitorando de perto os incêndios que atingem o estado, com foco especial nas áreas de preservação ambiental. Segundo dados da universidade, até o dia 14 de setembro, mais de 100 mil hectares foram queimados no Acre, dos quais quase 3 mil hectares estão localizados em florestas nativas. Contudo, esses números podem ter aumentado consideravelmente, especialmente nas áreas mais preservadas.

A professora e pesquisadora na área de queimadas e incêndios florestais, Sonaira Silva, destacou que a seca severa deste ano afetou praticamente todo o território acreano, inclusive áreas isoladas e preservadas. “Este ano, a seca está realmente muito intensa em todo o território acreano, desde as regiões que mais usam água até mesmo as regiões mais preservadas do estado. Municípios mais isolados têm sido afetados pela seca e pelas queimadas”, afirmou Sonaira.

Entre as áreas mais impactadas, estão a Serra do Môa, que abriga uma rica biodiversidade. Além das queimadas em pastagens e ambientes agrícolas, as chamas têm se alastrado para florestas nativas, incluindo regiões de Campinarana e territórios indígenas próximos ao Guajará.

Sonaira explicou que, além do impacto direto na vegetação, as queimadas trazem sérios riscos à saúde pública, já que a fumaça das queimadas é carregada por ventos e afeta não só as áreas que estão em chamas, mas também outras regiões. “Essa fumaça transporta partículas e gases que prejudicam a saúde, causando poluição atmosférica em níveis perigosos, especialmente quando os sensores indicam concentrações acima de 15 microgramas por metro cúbico”, destacou a pesquisadora.

Os incêndios, além de destruírem a flora, comprometem o fornecimento de matéria-prima utilizada na vida cotidiana da população amazônica, como buritis, sementes para artesanato e madeira para móveis. Silva também destacou que florestas atingidas pelo fogo demoram décadas para se recuperar e, mesmo após 15 a 20 anos, não retomam completamente sua biodiversidade ou biomassa.

Os dados de monitoramento da Ufac indicam que os focos de incêndio se intensificaram nos últimos dias, especialmente na região do Pentecoste e Mussolima, cujas queimadas, transportadas pelos ventos, têm piorado a qualidade do ar em Cruzeiro do Sul. “Mesmo onde choveu, o fogo continua a se propagar. O momento exige atenção total, evitando qualquer uso de fogo, seja para limpeza de áreas ou para pastagem”, alertou Sonaira.

Com a previsão de mais semanas de seca antes da chegada das chuvas, o monitoramento dos incêndios continua, e as autoridades pedem que a população colabore, evitando o uso de fogo durante esse período crítico.

spot_img

Notícias relacionadas:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS