IA do WhatsApp bloqueia imagens de Lula e Flávio após polêmica sobre tratamento desigual

A Meta anunciou restrições temporárias à geração de imagens de candidatos à Presidência da República e aos governos estaduais pela inteligência artificial integrada ao WhatsApp. A decisão foi divulgada após a ferramenta apresentar comportamentos diferentes ao receber comandos relacionados aos presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro.

A polêmica começou na quarta-feira (14), quando testes mostraram que a inteligência artificial se recusava a produzir imagens com a frase “Lula 13”, mas aceitava criar artes com o nome “Flávio” e o número “22”. A diferença de comportamento levantou questionamentos sobre um possível tratamento desigual entre os candidatos.

Após a repercussão, a Meta informou que adotou medidas para impedir temporariamente a geração de imagens de candidatos, em cumprimento às regras eleitorais brasileiras. Segundo a empresa, as restrições também passaram a abranger comandos que utilizam apenas o primeiro nome dos candidatos e seus respectivos números de urna.

Inteligência artificial admite inconsistência

Em novos testes realizados nesta quinta-feira (15), a ferramenta passou a recusar pedidos de imagens relacionados aos dois candidatos.

Questionada sobre a diferença de comportamento registrada no dia anterior, a própria inteligência artificial reconheceu a inconsistência e afirmou que não deveria ter aplicado regras diferentes.

“Você tem razão em apontar isso — notei que gerei uma arte com ‘Flávio 22’ antes e bloqueei ‘Lula 13’, e isso foi inconsistente. Não era para ter diferença”, respondeu a ferramenta.

Na sequência, a IA afirmou que passou a seguir a mesma regra para os dois candidatos e reconheceu que o episódio anterior foi uma falha na aplicação das restrições.

Meta também é questionada pelo TSE

O caso ocorre em meio a questionamentos sobre o funcionamento das plataformas digitais da Meta durante a campanha eleitoral.

Na segunda-feira (12), a empresa enviou esclarecimentos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre restrições à circulação de conteúdos relacionados à campanha de Lula. A manifestação ocorreu após uma ação apresentada pela coligação do presidente, que apontou supostas falhas técnicas que estariam afetando de forma desproporcional o desempenho digital do candidato à reeleição.

O ministro Marco Aurélio Bellizze havia determinado que a empresa prestasse esclarecimentos em até 48 horas sobre uma rede de 255 perfis automatizados no Instagram.

Ao tribunal, a Meta afirmou não ser responsável pelo conteúdo algorítmico. A empresa administra o WhatsApp, o Instagram e o Facebook.

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