O governo federal não apresentou justificativas para a demora de mais de três anos para reajustar o Bolsa Família nem esclareceu por que o aumento começou a valer apenas em outubro de 2026, mês do segundo turno das eleições presidenciais.
O reajuste de 15,04% elevou o valor mínimo do benefício de R$ 600 para R$ 691. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia 10 de outubro, depois de ele afirmar, durante entrevista ao Jornal Nacional, que não sabia que o programa permanecia sem correção.
“Eu não sabia [que não havia tido reajuste], porque é inexplicável que no governo do Lula alguém pense em não reajustar a inflação no salário das pessoas”, declarou o presidente na ocasião.
Documentos que embasaram a atualização incluem um parecer técnico do Ministério do Planejamento e Orçamento, uma análise da Consultoria Jurídica da pasta e uma exposição de motivos encaminhada à Presidência da República. Os três documentos foram assinados em 16 de setembro, um dia antes da publicação do decreto.
Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, os documentos só foram incorporados ao processo eletrônico nos dias 1º e 2 de outubro. A tramitação ocorreu de forma sigilosa e em papel, por meio de um procedimento excepcional autorizado pela Casa Civil.
Pagamentos foram antecipados antes da votação
O governo também antecipou o calendário de pagamentos de outubro para que todos os beneficiários recebam a primeira parcela com o reajuste antes do segundo turno, marcado para domingo (25).
Os depósitos começaram na segunda-feira (19) e serão concluídos nesta quarta-feira (21). A antecipação foi justificada pelo governo como uma medida para reduzir os efeitos do fenômeno climático El Niño sobre as famílias em situação de vulnerabilidade.
A mudança no calendário também será aplicada em novembro e dezembro.
Com o reajuste, o valor mínimo do Bolsa Família passou para R$ 691, enquanto o benefício médio chega a aproximadamente R$ 777, segundo os dados divulgados pelo governo.





