O Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) mantêm silêncio e ainda não publicaram nenhuma nota ou declaração sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Nos bastidores, interlocutores da gestão federal admitem que houve forte surpresa e frustração com a Casa Branca.
Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva esperavam que o governo norte-americano fizesse um comunicado prévio a Brasília antes de divulgar a informação. Havia a expectativa de uma cortesia diplomática, especialmente após o recente encontro bilateral considerado amistoso entre Lula e o presidente Donald Trump, em Washington.
Soberania
A reação inicial do governo ocorreu poucas horas antes do anúncio de Washington, de forma indireta. Em viagem oficial, o assessor especial para assuntos internacionais, Celso Amorim, declarou no Fórum Internacional de Moscou que equiparar o crime organizado ao terrorismo “não é útil” e que é preciso focar nas motivações das facções para combatê-las com eficácia.
A fala de Amorim reflete o principal temor do Planalto: o de que a rotulação norte-americana abra precedentes para uma interferência externa ou até mesmo operações militares dos EUA em solo brasileiro, traçando um paralelo com as pressões sofridas pela Venezuela.
Atualmente, a equipe do presidente Lula se encontra em um impasse político. O governo tenta desenhar uma resposta que preserve a soberania nacional sem correr o risco de ser taxado pela opinião pública como “defensor” de organizações criminosas.
Oposição
A classificação das duas maiores facções brasileiras como entidades terroristas foi oficializada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e ocorre em um momento de forte articulação da oposição brasileira no exterior.
Dias antes do anúncio, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu com o presidente Donald Trump e levou a pauta diretamente à mesa do líder norte-americano. A oposição celebrou a medida em tom de comemoração política:
O senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro, usou as redes sociais para classificar a decisão como “um grande dia” para a população de bem do Brasil.
Ronaldo Caiado ex-governador de Goiás e pré-candidato à presidência, lamentou apenas “não ter chegado à presidência da República ainda” para tomar ele próprio essa iniciativa.
O ex-governador de Minas Gerais e também presidenciável Romeu Zema parabenizou a articulação de Flávio e acusou o PT e o presidente Lula de terem tentado barrar a medida junto aos americanos.
Enquanto a oposição fatura o episódio politicamente, a diplomacia brasileira corre contra o tempo para alinhar um posicionamento oficial que responda à decisão unilateral de Washington.
Por: Band






