Fim da escala 6×1 pode afetar 19 mil empresas e beneficiar mais de 37 mil trabalhadores no Acre

Mais de 19 mil empresas no Acre poderão ser impactadas pelo fim da escala de trabalho 6×1 e pela redução da jornada semanal, enquanto mais de 37 mil trabalhadores do estado devem ser beneficiados diretamente pela mudança. As projeções sobre os efeitos econômicos foram divulgadas pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Acre (Fecomércio-AC), com base em estudos da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Segundo as estimativas citadas pela entidade, a redução da jornada poderá elevar em 21% os gastos com a folha salarial, especialmente em setores que dependem de um grande número de trabalhadores. O levantamento também projeta que os preços finais de produtos e serviços ao consumidor poderão subir até 13%, caso as empresas repassem parte dos custos adicionais.

O consultor da Fecomércio-AC, Egídio Garó, afirmou que a mudança poderá exigir novas contratações para manter o funcionamento dos estabelecimentos dentro das jornadas previstas. Segundo ele, a elevação dos custos pode comprometer principalmente os pequenos negócios, que possuem menos margem para absorver despesas adicionais.

“Estimativas apontam que, uma vez aprovada, a medida poderá causar prejuízos ao comércio e aos serviços da ordem de R$ 350 bilhões anuais, interferindo diretamente na continuidade dos negócios”, declarou Garó.

De acordo com o consultor, o impacto não será igual para todas as atividades. Empresas que já trabalham com escalas organizadas, como prestadoras de serviços de vigilância, poderão enfrentar efeitos diferentes daqueles observados em estabelecimentos que dependem de jornadas mais extensas para manter o atendimento.

O levantamento também aponta que o Acre possui 54.838 micro e pequenos negócios, conforme dados da Receita Federal. Rio Branco concentra aproximadamente 33 mil estabelecimentos, o que evidencia a dimensão do setor empresarial no estado.

Mais de 37 mil trabalhadores podem ser beneficiados

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) citados no levantamento indicam que 37.544 trabalhadores acreanos atuam atualmente na escala 6×1, com seis dias de trabalho para um de descanso. Com a mudança prevista, esse grupo poderá passar a contar com dois dias de descanso semanal.

Outros 63.312 trabalhadores já cumprem a escala 5×2, equivalente a 62,77% do total identificado no levantamento. Além disso, cerca de 90.490 trabalhadores no Acre poderão ser beneficiados pela redução da jornada semanal para quem trabalha mais de 40 horas.

A alteração também deverá exigir adaptações nas escalas e na organização das equipes. Segundo a Fecomércio-AC, eventuais ajustes na distribuição dos horários e nas formas de compensação deverão observar as negociações coletivas aplicáveis a cada categoria.

Comércio demonstra preocupação com os custos

A CNC manifestou preocupação com a condução da discussão sobre a mudança. Em nota, a entidade afirmou que uma alteração dessa dimensão exige aprofundamento dos estudos sobre os efeitos para empresas, trabalhadores e para a economia brasileira.

A confederação também apontou riscos de aumento das despesas operacionais e de redução das contratações, em um cenário que, segundo a reportagem, já apresenta dificuldades para o comércio em relação às admissões e demissões.

As projeções apresentadas pela entidade patronal representam estimativas de possíveis impactos econômicos, e não resultados já observados. Os efeitos efetivos dependerão das regras definitivas, do período de transição e da capacidade de adaptação dos diferentes setores.

A proposta mencionada na reportagem prevê uma redução gradual da jornada semanal, de 44 para 42 horas e, posteriormente, para 40 horas. O calendário e as condições de aplicação, entretanto, dependem da tramitação e da aprovação das mudanças legislativas correspondentes.

Por Cezar Negreiros, com informações de A Tribuna.

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