O governo da Espanha anunciou que pretende iniciar, nas próximas semanas, a transferência de menores imigrantes que permanecem em Ceuta, território espanhol no norte da África, para a Espanha continental.
Segundo a ministra da Juventude, Sira Rego, 1.342 menores já foram cadastrados pelas autoridades, e a prioridade será dada às crianças com menos de 13 anos de idade.
A expectativa é que a operação comece dentro de algumas semanas, com o reforço de equipes enviadas da Espanha continental para auxiliar no processo de acolhimento e transferência.
Mais de mil menores permanecem em Ceuta
Os menores desacompanhados representam uma parcela significativa dos imigrantes que permaneceram em Ceuta após a chegada em massa registrada na semana passada.
Na quarta-feira (6), centenas de crianças e adolescentes fizeram fila em frente a uma delegacia da cidade para realizar o cadastro exigido pelas autoridades espanholas.
Atualmente, cerca de 1.100 menores desacompanhados seguem no enclave espanhol.
Proteção contra deportação
Pela legislação espanhola, imigrantes adultos podem solicitar asilo e, caso o pedido seja negado, ficam sujeitos aos procedimentos de expulsão.
Já os menores de idade contam com proteção legal especial contra a deportação e devem receber assistência das autoridades espanholas.
Na última terça-feira (4), o governo anunciou a liberação de 25 milhões de euros — aproximadamente R$ 146,5 milhões — para custear o atendimento às crianças e adolescentes.
Apesar da medida, jornalistas relataram ter encontrado menores pedindo comida nas ruas de Ceuta.
A ministra reconheceu a situação crítica e classificou como “dolorosas” as imagens de crianças dormindo ao relento. Segundo ela, duas escolas já foram adaptadas para receber os menores, enquanto outros espaços estão sendo avaliados para funcionar como centros de acolhimento.
Marrocos oferece cooperação
O governo marroquino informou que está disposto a colaborar com a Espanha e outros países europeus para o retorno dos menores desacompanhados que cruzaram a fronteira na semana passada.
De acordo com Sira Rego, cada caso será analisado individualmente antes de qualquer decisão sobre eventual repatriação.
A ministra afirmou que equipes especializadas irão avaliar a situação de cada criança para definir a medida mais adequada, priorizando sempre a proteção dos direitos dos menores e a reunificação familiar quando possível.
Crise humanitária continua
Os menores fazem parte do grupo estimado entre 3 mil e 5 mil migrantes que permaneceram em Ceuta após a onda migratória registrada nos últimos dias.
A situação humanitária segue preocupante. Nesta quinta-feira (6), as autoridades espanholas confirmaram que o número de mortos durante a travessia entre Marrocos e Ceuta ultrapassou a marca de 100 vítimas.
Além disso, o principal centro de acolhimento da cidade, com capacidade para 600 pessoas, permanece superlotado, enquanto migrantes enfrentam escassez de alimentos e dificuldades para obter abrigo.





