Criada durante a pandemia, a Escola de Cultura 60+ transformou a busca de pessoas com mais de 60 anos por conhecimento, convivência e novas experiências em um modelo de negócio. Criada em Porto Alegre (RS), a escola já recebeu mais de mil alunos desde sua fundação e agora avança com a expansão por meio de microfranquias.
A iniciativa foi criada pelos empreendedores Cristiano Cunha e Juliana Enderle, que uniram suas experiências profissionais. Enquanto Juliana estudava Design de Interiores, Cristiano trabalhava como professor de História da Arte.
A ideia inicial era oferecer formação complementar para profissionais da área criativa. A pandemia, porém, mudou os planos. Com investimento inicial de R$ 50 mil, os empreendedores passaram a oferecer aulas online durante o período de isolamento.
As videochamadas acabaram se tornando não apenas um espaço de aprendizado, mas também de convivência. O primeiro público a aderir à proposta foi justamente o de pessoas com 60 anos ou mais, que buscavam manter a mente ativa e os vínculos sociais.
Com o aumento da procura, a escola ampliou a oferta de disciplinas e consolidou uma proposta voltada à chamada longevidade ativa.
Após o fim das restrições sanitárias, o negócio ganhou uma sede física. Atualmente, são 110 alunos presenciais e oito disciplinas disponíveis, entre elas História da Arte, Filosofia, Cinema, Geopolítica, Bordado e Aquarela. Os cursos são semestrais e custam R$ 239 por disciplina.
A proposta não se limita à transmissão de conteúdo. Segundo os fundadores, existe uma carência de espaços que ofereçam conhecimento de qualidade direcionado ao público sênior.
A maior parte dos professores possui formação de mestrado ou doutorado, e as aulas também valorizam a troca de experiências entre professores e estudantes.
Entre os alunos está o médico obstetra aposentado Jorge Hartmann. Depois de décadas dedicadas à profissão, ele encontrou na escola uma maneira de continuar aprendendo e, ao mesmo tempo, ampliar seu círculo social.
Além das aulas, os momentos de convivência também ganharam importância. Os intervalos são aproveitados pelos alunos para conversar, trocar experiências e fortalecer amizades.
A aposentada Bernadete Pinto, por sua vez, encontrou na aquarela uma nova oportunidade de desenvolvimento pessoal. Depois de anos dedicados à família e ao trabalho, retomou o interesse pela arte e passou a pintar quase diariamente.
Para ela, a escola também possibilitou a criação de novos vínculos com pessoas que compartilham interesses semelhantes. As amizades, segundo Bernadete, chegaram a se transformar em encontros, passeios e viagens.
Expansão por microfranquias
Combater a solidão é apontado pelos fundadores como um dos principais objetivos da escola. A própria comunidade de alunos também passou a contribuir para o crescimento do negócio.
Grande parte das matrículas ocorre por indicação de estudantes satisfeitos e por recomendações de médicos, que veem as atividades como uma forma de complementar os cuidados com a saúde e o bem-estar.
O mercado potencial também acompanha o envelhecimento da população brasileira. Atualmente, o país tem 35,2 milhões de pessoas com mais de 60 anos, segundo o dado citado pela empresa.
Diante desse cenário, Cristiano e Juliana decidiram estruturar a expansão por meio do franchising. A primeira unidade franqueada foi aberta em Pelotas (RS).
A escolha ocorreu após os empreendedores identificarem interesse de alunos de outras cidades da região metropolitana de Porto Alegre. Depois de estudos de mercado, o casal concluiu que o modelo de microfranquia seria o mais adequado para replicar a proposta.
Atualmente, a Escola de Cultura 60+ fatura cerca de R$ 45 mil por mês e já recebeu mais de mil alunos desde a criação.
Para os fundadores, os resultados acompanham uma transformação demográfica que deve ganhar ainda mais força nos próximos anos. A proposta é estimular pessoas acima dos 60 anos a enxergarem a aposentadoria não como o fim da vida produtiva, mas como o início de uma nova etapa marcada por aprendizado, convivência e novos projetos.





