Bombeiros resgatam corpo de criança e desabamento em SP deixa seis mortos

O Corpo de Bombeiros encerrou, no início da tarde deste domingo (13), as buscas por vítimas do desabamento de um prédio em obras na Penha, zona leste de São Paulo. O corpo de uma menina de 7 anos foi localizado e retirado dos escombros.

Com o resgate, o número de mortos chegou a seis. Outras duas pessoas — um homem e uma criança — sobreviveram ao desabamento. Não há mais desaparecidos.

Entre as vítimas estão uma criança, dois homens e três mulheres, sendo que uma delas estava grávida.

O desabamento aconteceu por volta das 2h de sábado (12), na Rua Tequici, nº 61. O prédio em construção caiu sobre uma residência onde viviam mais de dez pessoas.

Após o encerramento das buscas, o local ficará sob responsabilidade das demais autoridades para a realização dos trabalhos periciais e das outras medidas necessárias.

Pai cobra responsabilização

No sábado, Herbert Chino, pai da menina de 5 anos que foi resgatada com vida e da outra criança, encontrada morta no dia seguinte, esteve no local acompanhando o trabalho dos bombeiros.

Ele também é familiar das demais vítimas, todas integrantes de uma família de origem boliviana. Durante as buscas, Chino cobrou a responsabilização pelos acontecimentos.

“Alguém tem que responder por isso”, afirmou.

Obra já havia sido alvo de medidas

A construção era realizada pela construtora New Home. O advogado da empresa, Alexandre Sampi, afirmou que o empreendimento estava regularizado e possuía alvará.

Segundo ele, o prédio chegou a ser embargado, mas o embargo teria sido posteriormente cassado.

Sampi também declarou que a construtora está prestando “todo o apoio possível” às vítimas. De acordo com o advogado, somente um laudo técnico poderá apontar as causas do desabamento.

A obra, porém, já havia sido alvo de medidas da Prefeitura de São Paulo. Em 2019, o município autuou e interditou a construção por falta de alvará. Em 2021, a Prefeitura entrou na Justiça para impedir o avanço da obra.

A Polícia Civil investiga as circunstâncias do desabamento. Segundo o prefeito Ricardo Nunes, os responsáveis pela obra são pai e filho, e o filho também atuava como engenheiro responsável tecnicamente pela construção.

Servidora será afastada

Uma servidora da Prefeitura de São Paulo deverá ser afastada do cargo por pelo menos 30 dias durante uma investigação interna sobre um documento relacionado ao imóvel.

O documento foi assinado em fevereiro de 2024 por uma funcionária da Subprefeitura da Penha. Na época, ela atestou que a construção existente no terreno havia sido “efetuada em sua integralidade” e que uma nova edificação estava em andamento.

Segundo o procurador-geral do município, Daniel Falcão, o problema é que a demolição indicada no documento não havia sido realizada.

O afastamento deverá permitir que a Controladoria-Geral do Município investigue como o documento foi emitido e qual foi a atuação da servidora no processo.

“Vai haver uma determinação minha de afastamento dessa servidora que deu esse ateste por pelo menos 30 dias para ajudar na investigação. Ela não pode continuar no cargo nesse momento para não atrapalhar a nossa investigação interna”, afirmou Falcão.

Ainda segundo o procurador-geral, o próprio advogado da construtora esteve no local e constatou que a estrutura indicada no documento não havia sido demolida.

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