O rádio ganhou uma nova data oficial de celebração no Brasil. Desde 2025, o Dia Nacional do Rádio é comemorado em 25 de setembro, em homenagem ao nascimento de Edgard Roquette-Pinto, considerado um dos pioneiros da radiodifusão brasileira. A data foi instituída pela Lei nº 15.101/2025, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 13 de janeiro de 2025.
Nascido em 25 de setembro de 1884, Roquette-Pinto participou de iniciativas que ajudaram a consolidar o rádio como meio de comunicação no país. Em 1922, esteve envolvido no processo que marcou a primeira transmissão radiofônica brasileira, realizada durante as comemorações do centenário da Independência. No ano seguinte, ajudou a criar a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, considerada a primeira emissora oficial do país, posteriormente incorporada pelo governo federal e transformada na atual Rádio MEC.
Mais de um século depois, o rádio continua presente na rotina dos brasileiros e se adaptou às transformações tecnológicas, ampliando sua atuação para plataformas digitais. No Vale do Juruá, a história do rádio se funde com o próprio desenvolvimento da comunicação entre Cruzeiro do Sul e as comunidades do interior.
Para o jornalista e locutor pioneiro Mariano Maciel, o rádio teve um papel fundamental em uma época em que as dificuldades de acesso e a distância entre as localidades tornavam a comunicação um desafio.

“A gente dependeu, aqui na região, logo no início, totalmente do rádio. O rádio era exatamente o elo de comunicação entre a cidade e o interior, entre Cruzeiro do Sul e os seringais.”
Mariano destaca especialmente os programas de mensagens e avisos, que durante décadas funcionaram como uma das principais formas de comunicação entre comunidades distantes. Por meio do rádio, recados pessoais, informações sobre viagens, chegada de pessoas, avisos familiares e outras mensagens conseguiam percorrer longas distâncias em uma região marcada pelo isolamento.
Na avaliação do jornalista, esses programas podem ser comparados, guardadas as proporções, às ferramentas de comunicação instantânea utilizadas atualmente. Antes da popularização do telefone e, posteriormente, da internet e dos aplicativos de mensagens, o rádio era uma das poucas alternativas para estabelecer contato entre localidades do Baixo e do Alto Juruá.
A influência do rádio também ultrapassava a comunicação cotidiana e alcançava a vida pública e política da região. Mariano lembra que a força dos veículos de comunicação era tão significativa que profissionais ligados ao rádio também passaram a ocupar espaços de representação política, inclusive no Legislativo.
Para Nonato Costa, locutor que fez parte da mesma geração de profissionais de rádio que Mariano Maciel, a relevância do meio de comunicação permanece mesmo diante das transformações tecnológicas das últimas décadas.

“Havia quem dissesse que, com o advento da televisão, primeiro o rádio sumiria e perderia sua importância. Depois, com as ferramentas da internet, as pessoas acharam que finalmente seria o fim do rádio. Nada disso aconteceu. O rádio continua sendo um instrumento potente, um dos maiores meios de comunicação de massa, e continua sendo o elo entre as autoridades e a população, para que elas possam apresentar suas reivindicações. Nós nos apropriamos dessa ferramenta extraordinária que é a internet e conseguimos fazer com que o rádio continue atual.”
Essa trajetória de proximidade com a população também pode ser observada na história da Rádio Juruá FM 100,9, emissora que integra o mesmo grupo de comunicação desse portal e que há quase 25 anos mantém presença no cotidiano de Cruzeiro do Sul e de municípios do Vale do Juruá.
A emissora entrou no ar em 12 de dezembro de 2001 e, desde então, passou a integrar a rotina de milhares de ouvintes. A programação reúne jornalismo, prestação de serviço, música e entretenimento, alcançando moradores tanto da área urbana quanto de comunidades rurais, ramais, colônias e localidades de difícil acesso.
Em uma região onde o rádio ajudou a encurtar distâncias e aproximar pessoas, a trajetória da Juruá FM representa uma continuidade dessa relação construída ao longo de décadas. A emissora também acompanhou as mudanças na forma de consumir informação e entretenimento, incorporando novas plataformas e ferramentas digitais sem deixar de lado a característica que marcou a história do rádio: a proximidade com o ouvinte.
Neste 25 de setembro, Dia Nacional do Rádio, a celebração não representa apenas uma homenagem ao pioneirismo de Roquette-Pinto. A data também abre espaço para lembrar a importância que o rádio teve — e ainda tem — na história de Cruzeiro do Sul e das comunidades que formam o Vale do Juruá, onde, durante décadas, foi muito mais do que um meio de comunicação: foi um elo entre pessoas, comunidades e diferentes partes da região.





