Derrubada de aviões há 30 anos pode levar Raúl Castro a ser acusado nos EUA; entenda

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O ex-presidente cubano Raúl Castro, de 94 anos, pode ser alvo de uma acusação criminal nos Estados Unidos por um episódio ocorrido há quase três décadas: a derrubada de dois aviões civis do grupo anticastrista Brothers to the Rescue, em 1996. Na época, Raúl ocupava o cargo de ministro da Defesa de Cuba.

Segundo informações divulgadas pelo jornal The New York Times e pela agência Reuters, procuradores federais dos EUA pretendem anunciar nesta quarta-feira (20), em Miami, uma denúncia relacionada ao caso. O indiciamento ainda depende da aprovação de um grande júri.

O episódio ocorreu em 24 de fevereiro de 1996, quando dois aviões modelo Cessna C-337 foram abatidos pela Força Aérea Cubana sobre o Caribe. Quatro tripulantes morreram, sendo três cidadãos norte-americanos: Armando Alejandre, Carlos Costa, Mario de la Peña e Pablo Morales.

O grupo Brothers to the Rescue, sediado em Miami, realizava missões aéreas para localizar cubanos que tentavam deixar a ilha em embarcações precárias rumo aos Estados Unidos. Com o agravamento da crise econômica cubana nos anos 1990, milhares de pessoas tentavam fugir do país pelo mar.

Posteriormente, após acordos migratórios entre Washington e Havana determinarem a devolução de cubanos encontrados em águas internacionais, o grupo passou a realizar voos considerados provocativos pelo governo cubano, incluindo lançamentos de panfletos sobre a ilha.

Cuba alegou que os aviões violaram seu espaço aéreo. Já a Organização da Aviação Civil Internacional concluiu que o ataque ocorreu em águas internacionais, sobre o Estreito da Flórida.

Além das acusações relacionadas ao abate das aeronaves, autoridades americanas avaliam incluir supostos crimes ligados ao tráfico de drogas, segundo o New York Times. Parlamentares dos EUA também pressionam o Departamento de Justiça após a divulgação de um áudio em que Raúl Castro supostamente discute a ordem para derrubar os aviões.

Em 1997, familiares das vítimas venceram uma ação na Justiça americana e receberam indenização de US$ 187,6 milhões, parte paga com ativos cubanos congelados pelo Tesouro dos EUA.

Tensão crescente entre EUA e Cuba

A retomada do caso acontece em meio ao aumento das tensões entre Washington e Havana. Desde janeiro, os Estados Unidos intensificaram sanções econômicas contra Cuba, incluindo medidas relacionadas ao fornecimento de petróleo à ilha.

O governo cubano enfrenta uma grave crise energética e acusa os EUA de agravarem a situação com novas restrições econômicas e comerciais. Em maio, o presidente Donald Trump ampliou sanções já existentes contra Cuba, aumentando ainda mais o desgaste diplomático entre os dois países.

Especialistas internacionais avaliam que o cenário atual eleva os riscos de uma escalada política e militar envolvendo a ilha caribenha.

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