O governo do Irã intensificou treinamentos militares para civis e passou a exibir armas publicamente em Teerã, capital do país, em meio ao aumento das tensões com os Estados Unidos e ao temor de uma escalada do conflito.
Integrantes da Guarda Revolucionária e da milícia Basij, ligada ao regime iraniano, estão ensinando homens e mulheres a manusear fuzis no estilo Kalashnikov em treinamentos realizados nas ruas da capital.
Segundo autoridades locais, os participantes receberão um cartão chamado “Janfada”, documento que comprova treinamento básico para uso de armas em caso de guerra.
“Os participantes poderão usar essa arma se algo acontecer ao nosso país”, afirmou Hadi Khoosheh, integrante da milícia Basij.
Tensões aumentam após ameaças de Trump
A mobilização acontece após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar retomar ataques caso as negociações fracassem e o Irã mantenha o controle do Estreito de Ormuz, área estratégica para o comércio mundial de petróleo.
Trump também voltou a afirmar que os EUA podem agir para assumir o controle do estoque iraniano de urânio enriquecido.
Durante os treinamentos em Teerã, moradores demonstraram apoio à postura do governo iraniano.
“Vamos enfrentar os americanos e não cederemos nem um centímetro do nosso território”, disse Ali Mofidi, morador da capital iraniana.
Governo tenta reforçar apoio interno
Além da preparação militar, analistas apontam que as demonstrações públicas também servem para fortalecer o discurso nacionalista da ala mais radical do regime iraniano em meio à crise econômica no país.
O Irã enfrenta inflação elevada, fechamento de empresas, aumento do desemprego e alta nos preços de alimentos e medicamentos.
Especialistas também avaliam que o incentivo ao armamento civil pode ser usado pelo governo para conter novos protestos internos contra o regime teocrático.
Em janeiro, manifestações nacionais foram reprimidas pelas forças de segurança iranianas. Segundo ativistas, milhares de pessoas morreram e dezenas de milhares foram presas durante a repressão.
Apesar disso, os treinamentos recentes têm ocorrido principalmente em Teerã, e não em áreas rurais, onde parte da população tradicionalmente já possui armas em casa.






