Democratas dos EUA cobram explicações de Trump sobre apoio à saída de Flávio Bolsonaro do Brasil

Um grupo de 25 parlamentares democratas dos Estados Unidos enviou uma carta ao Departamento de Estado norte-americano cobrando explicações sobre o apoio do governo de Donald Trump à viagem de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos. Os congressistas questionam se autoridades norte-americanas ajudaram a facilitar a saída do senador do Brasil e sua entrada em território norte-americano.

O documento foi encaminhado ao Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio, e menciona a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a retenção dos passaportes de Flávio em meio a uma investigação criminal. Os parlamentares querem saber se o governo Trump tinha conhecimento da determinação judicial antes de prestar qualquer tipo de assistência ao brasileiro.

Entre os questionamentos estão a possível emissão ou aceleração de vistos para Flávio e seus familiares, contatos entre integrantes do governo norte-americano e representantes do senador, além de eventual apoio logístico envolvendo transporte, voos e acesso a aeroportos.

A carta também pergunta se o Departamento de Estado consultou órgãos como o Departamento de Segurança Interna, o controle de fronteiras e o Departamento de Justiça sobre as implicações legais da entrada do parlamentar nos Estados Unidos.

Os democratas afirmam que o Congresso e a população norte-americana têm interesse em saber se recursos diplomáticos e migratórios foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira em meio a uma decisão judicial brasileira. O grupo solicitou uma resposta formal até 13 de novembro.

Saída do Brasil

Flávio Bolsonaro deixou o país dois dias depois do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Segundo as informações divulgadas, ele atravessou a fronteira entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú, na Argentina, utilizando um passaporte italiano.

A saída ocorreu após um pedido da Polícia Federal para retenção dos documentos do senador, sob alegação de risco de fuga. A solicitação foi atendida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Da Argentina, Flávio embarcou em um avião particular da empresa Baires Fly, acompanhado da esposa e das duas filhas, com destino a Guayaquil, no Equador. Depois, seguiu para Miami, onde chegou na manhã de quarta-feira (28).

O assessor de comunicação da Casa Branca Jason Miller confirmou ter providenciado a aeronave utilizada pelo senador. O governo norte-americano também informou que concederia vistos a Flávio e seus familiares.

Críticas ao processo eleitoral

Após chegar aos Estados Unidos, Flávio publicou uma carta na qual criticou o sistema eleitoral brasileiro e se declarou “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, uma nova versão do documento substituiu a expressão por “líder do Brasil”.

Nos últimos dias, Donald Trump também fez críticas ao processo eleitoral brasileiro e levantou suspeitas de fraude sem apresentar provas. O presidente norte-americano, porém, evitou responder diretamente quando questionado sobre quem reconhecia como presidente legítimo do Brasil após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

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