O trabalho desenvolvido pela Cooperativa Nova Cintra (Coopersintra), localizada no Ramal Nova Cintra, em Rodrigues Alves, tem transformado a realidade de centenas de famílias extrativistas do Vale do Juruá. Com foco no beneficiamento do óleo de murumuru e da borracha nativa, a cooperativa vem consolidando sua atuação no mercado e levando produtos da floresta amazônica para diversos países.
Segundo o presidente da cooperativa, Osmarino Lago de Souza, embora o CNPJ tenha sido criado em 2011, foi somente em 2013 que a produção começou efetivamente, com o beneficiamento da manteiga de murumuru. Após um período de dificuldades, a cooperativa retomou o crescimento a partir de 2024, impulsionada por novas parcerias.

“Hoje temos uma nova indústria, maquinários modernos e uma estrutura muito melhor. Isso foi possível graças ao apoio da Natura, do deputado Edvaldo Magalhães, da Funtac, Sebrae, GIZ, OCB e de outras cooperativas parceiras que nos orientam e fortalecem nosso trabalho”, destacou.
Atualmente, a Coopersintra reúne mais de 400 famílias de cinco municípios, três no Acre e dois no Amazonas. A renda obtida com o extrativismo complementa outras atividades das comunidades, como agricultura familiar, pesca artesanal e programas sociais.

Além de gerar renda, o trabalho também fortalece a conservação da floresta. Toda a matéria-prima utilizada pela cooperativa é extraída de forma sustentável da floresta amazônica, sem necessidade de desmatamento.
“Sabemos trabalhar na floresta. Nossos parceiros nos ajudam com toda a parte técnica e burocrática. Assim conseguimos produzir, preservar a natureza e melhorar a vida das famílias”, afirmou Osmarino.

Produtos do Juruá ganham o mundo
O presidente ressalta que um dos maiores orgulhos da cooperativa é ver os produtos de Rodrigues Alves alcançando o mercado internacional. O óleo de murumuru abastece a cadeia produtiva da Natura, enquanto a borracha natural segue para empresas como a fabricante francesa Veja, conhecida mundialmente por seus calçados sustentáveis.
Segundo ele, essa valorização faz com que o nome de Rodrigues Alves seja reconhecido fora do Brasil.
“Quando um cosmético da Natura chega a mais de cem países ou um tênis da Veja leva matéria-prima produzida aqui, o nome de Rodrigues Alves também viaja junto. Isso é motivo de muito orgulho para todos nós.”

Desenvolvimento aliado à preservação
A cooperativa também estuda projetos de enriquecimento florestal com o plantio de murumuru, buscando facilitar a coleta no futuro sem abrir mão da conservação da Amazônia.
Para Osmarino, o modelo demonstra que é possível unir geração de renda, desenvolvimento regional e preservação ambiental.
“Estamos mostrando que a floresta em pé gera trabalho, renda e oportunidades para quem vive nela. Esse é o caminho para melhorar a qualidade de vida das famílias e fortalecer a economia do Vale do Juruá”, concluiu.






