Redação Juruá Online
A cheia do Rio Juruá atingiu um nível crítico em Cruzeiro do Sul, alcançando 13 metros e 70 centímetros, com previsão de mais chuvas nos próximos dias. Diante da gravidade da situação, a prefeitura decretou situação de emergência de classe 1 para viabilizar ações de socorro e assistência às famílias atingidas.
As equipes da Defesa Civil Municipal, Corpo de Bombeiros e demais órgãos competentes estão mobilizadas para o monitoramento constante do nível do rio e a remoção das famílias atingidas. Segundo o capitão do Corpo de Bombeiros, Josadac Cavalcante, a previsão de chuvas na região varia entre 5 e 75 milímetros, podendo impactar ainda mais o volume do rio. “Esse monitoramento permite que possamos antecipar soluções para minimizar os prejuízos e garantir a segurança da população”, destacou. Ele também alertou para o risco de deslizamentos de terra em algumas áreas ribeirinhas e reforçou a importância de que os moradores sigam as orientações das autoridades.
O prefeito Zequinha Lima também visitou algumas das áreas afetadas, incluindo o bairro Miritizal e uma comunidade indígena composta por 11 famílias oriundas do município do Jordão. “Estamos retirando essas famílias para um abrigo mais seguro. Até o momento, três famílias estão oficialmente abrigadas, enquanto outras foram encaminhadas para casas de parentes”, afirmou o prefeito. Ele ainda reforçou a necessidade de apoio do governo estadual e federal: “Precisamos de recursos para atender essa população com dignidade, oferecendo alimentação, assistência médica e um local seguro para se abrigar”.

As autoridades também aguardam o reconhecimento da situação emergencial pelos governos estadual e federal, o que permitiria a alocação de mais recursos para as ações de socorro. “Nosso foco é mitigar o sofrimento das mais de 3 mil famílias afetadas, distribuídas entre 12 bairros e dezenas de comunidades”, enfatizou Zequinha Lima. O prefeito ainda ressaltou que o município já está organizando campanhas para arrecadar donativos e reforçar os atendimentos nos abrigos provisórios.
O Exército Brasileiro, através do 61º Batalhão de Infantaria de Selva (61 BIS), também está atuando na força-tarefa de remoção das famílias, dispondo de 150 militares, viaturas e embarcações. O coronel Gustavo Matias ressaltou que o pelotão especial de fronteira em Marechal Thaumaturgo também está preparado para prestar apoio aos moradores locais. “Nosso papel é dar suporte às ações de resgate e transporte dessas pessoas em segurança. A comunidade pode contar com o Exército neste momento difícil”, afirmou o coronel.
A Polícia Militar, sob o comando do capitão Daniel Teixeira, intensificou o patrulhamento fluvial nas áreas atingidas para garantir a segurança dos imóveis deixados pelas famílias desabrigadas. “Nosso policiamento visa evitar invasões e saques nas residências desocupadas”, pontuou o comandante. Ele ainda ressaltou que as equipes estão prestando apoio nas remoções e auxiliando a população com informações sobre os locais seguros para abrigo.
Na área da saúde, o Secretário Municipal de Saúde, Marcelo Siqueira, anunciou a implantação de uma unidade itinerante na quadra do bairro Miritizal, além de equipes fluviais para atendimento médico e odontológico nas áreas alagadas e nos abrigos. “Estamos disponibilizando atendimento imediato para evitar surtos de doenças, especialmente aquelas relacionadas à água contaminada”, disse o secretário. Além disso, foi iniciada uma ação especial para o acolhimento de animais de estimação afetados pela cheia, garantindo os cuidados necessários e sua devolução posterior aos donos. “Entendemos que os animais fazem parte da família e também precisam de suporte durante esse período crítico”, acrescentou.
O coordenador da Defesa Civil, José Lima, informou que duas escolas foram designadas para abrigar as famílias desalojadas: a Escola Corazita Negreiros e a Escola Madre Adelgundes, que acolheu as famílias indígenas transferidas do bairro Miritizal. “Estamos fornecendo colchões, alimentação e acompanhamento psicológico para os desabrigados. A situação exige uma resposta rápida e coordenada”, destacou José Lima.
As equipes de emergência seguem em alerta e trabalhando para minimizar os impactos da cheia, garantindo suporte e segurança às famílias atingidas. A população deve seguir as orientações das autoridades e, em caso de emergência, acionar os órgãos competentes para receber apoio.






