Cerca de 60 mil migrantes entram em Ceuta em 24 horas; autoridades espanholas classificam situação como “insustentável”

Cerca de 60 mil migrantes teriam atravessado a fronteira entre Marrocos e Ceuta, território espanhol no norte da África, nas últimas 24 horas, segundo o presidente da região, Juan Jesús Vivas. As autoridades também informaram que pelo menos 43 pessoas morreram durante a tentativa de travessia.

O grande fluxo ocorreu após uma decisão do Supremo Tribunal da Espanha determinar que migrantes interceptados no mar enquanto tentam chegar a Ceuta ou Melilla — outros territórios espanhóis no continente africano — não podem ser devolvidos imediatamente ao Marrocos sem os procedimentos legais adequados.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou a situação como um “ataque” e afirmou que todos os migrantes que entraram ilegalmente serão devolvidos ao Marrocos “o mais rápido possível”. O governo espanhol também anunciou o envio de tropas para reforçar a segurança em Ceuta e Melilla.

Segundo o Ministério do Interior da Espanha, o número estimado de chegadas é menor, com cerca de 50 mil pessoas entrando no território desde as primeiras horas de quinta-feira. A pasta informou ainda que mais de 25 mil migrantes já retornaram voluntariamente ao Marrocos.

Crise na fronteira

Ceuta, localizada na costa norte do Marrocos e separada da Espanha continental pelo Estreito de Gibraltar, é um dos principais pontos de passagem para migrantes que tentam chegar à Europa.

O presidente local afirmou que o número de recém-chegados representa aproximadamente 70% da população da cidade, que possui cerca de 83,6 mil habitantes. Para Vivas, a situação chegou a um ponto “insustentável” e exige uma resposta urgente do governo central.

Relatos indicam que houve uma ruptura temporária dos controles fronteiriços, permitindo que grandes grupos de pessoas chegassem às áreas próximas à fronteira.

Espanha reforça segurança

Durante uma visita a Ceuta, Pedro Sánchez afirmou que o governo pretende fortalecer a fronteira com Marrocos e acusou redes criminosas de espalharem informações falsas relacionadas à decisão judicial espanhola.

O primeiro-ministro disse que as autoridades marroquinas estão cooperando com os planos de retorno dos migrantes que entraram ilegalmente.

Também foram registrados cruzamentos em Melilla, onde entre 300 e 400 pessoas teriam tentado entrar durante a noite.

Crianças entre os migrantes

Entre os milhares de pessoas que chegaram a Ceuta estão principalmente homens jovens, mas também há mulheres, crianças e bebês.

Autoridades estimam que cerca de 7 mil dos migrantes que entraram nas últimas 24 horas sejam menores de idade.

A rota tradicional para chegar a Ceuta envolve nadar vários quilômetros a partir da costa marroquina. Desta vez, grupos conseguiram se aproximar da área da fronteira com relativa facilidade, passando por regiões próximas às barreiras marítimas e terrestres.

Ainda não está claro por que os grupos não foram impedidos anteriormente pelas forças de segurança marroquinas.

Ceuta e Melilla são territórios espanhóis desde o século XV e representam as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com o continente africano. A soberania sobre as duas cidades é uma fonte histórica de tensão diplomática entre Espanha e Marrocos.

spot_img

Notícias relacionadas:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS