O Acre enfrenta em 2026 um dos momentos mais preocupantes dos últimos anos em relação às doenças respiratórias. Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) revelam que, entre as semanas epidemiológicas 1 e 22, foram registradas 1.547 internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), o maior número observado para o período desde 2024.
O avanço dos casos representa um crescimento expressivo em comparação aos anos anteriores. Em relação a 2024, o aumento foi de quase 28%, enquanto na comparação com 2025 a elevação ultrapassa 36%. O cenário levou o estado a atingir oficialmente o nível de alerta para SRAG, diante da pressão exercida sobre hospitais, especialmente nos leitos destinados ao atendimento infantil e nas unidades de terapia intensiva.
As crianças estão entre as mais afetadas pela atual onda de doenças respiratórias. Os registros apontam que a faixa etária de 2 a 4 anos concentra o maior número de internações, seguida por crianças de 5 a 9 anos e menores de 2 anos. Os idosos também seguem entre os grupos mais vulneráveis, com centenas de hospitalizações registradas ao longo dos primeiros meses do ano.
Segundo a Sesacre, a situação está relacionada à circulação simultânea de diversos vírus respiratórios. Entre os agentes identificados estão o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), Rinovírus, Influenza A em diferentes variantes, Adenovírus, Metapneumovírus e o SARS-CoV-2. Especialistas apontam que o VSR, o Rinovírus e os vírus da influenza têm desempenhado papel central no aumento das internações, sobretudo entre crianças pequenas.
A capital Rio Branco concentra a maior parte dos casos notificados, respondendo por mais da metade das internações registradas no estado. Cruzeiro do Sul aparece na sequência, enquanto municípios do interior, como Marechal Thaumaturgo e Feijó, também apresentam números elevados, demonstrando que a circulação dos vírus ocorre em todas as regiões acreanas.
A pressão sobre a rede hospitalar se reflete diretamente nas unidades de referência. O Hospital Infantil Yolanda Costa e Silva lidera o número de notificações relacionadas à SRAG, seguido pelo Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul. Outras unidades de saúde espalhadas pelo estado também registram grande demanda por atendimentos e internações associadas às complicações respiratórias.
Além dos casos considerados graves, o monitoramento realizado pela Sesacre aponta mais de 10 mil atendimentos por síndrome gripal nas unidades sentinelas do estado nos primeiros meses de 2026. Embora o total ainda seja inferior ao registrado no ano passado, os dados indicam crescimento recente da procura por assistência médica.
Outro dado que preocupa as autoridades de saúde é o aumento da mortalidade entre crianças menores de dois anos. Nos cinco primeiros meses deste ano, foram registrados oito óbitos nessa faixa etária relacionados a doenças respiratórias, número superior ao observado nos dois anos anteriores. Em contrapartida, as mortes entre idosos apresentaram redução significativa, indicando uma mudança no perfil dos casos mais graves acompanhados pela rede de saúde.
Diante do cenário, a orientação das autoridades é para que a população mantenha a vacinação em dia, adote medidas de prevenção e procure atendimento médico ao surgimento de sintomas respiratórios persistentes ou sinais de agravamento, especialmente em crianças pequenas e idosos.






