A cobertura de vegetação nativa do Brasil caiu de 79% para 65% do território nacional entre 1985 e 2025, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (12) pela plataforma MapBiomas. O levantamento mostra que o país perdeu cerca de 14% de sua cobertura natural ao longo de 40 anos, enquanto as áreas destinadas à agropecuária avançaram significativamente.
De acordo com o estudo, a área ocupada por atividades agropecuárias passou de 18% para 32% do território brasileiro no período analisado. Ao todo, cerca de 241 milhões de hectares sofreram alguma alteração de uso do solo, o equivalente a aproximadamente um terço do país.
As maiores perdas de vegetação nativa foram registradas na Amazônia, com redução de 53,9 milhões de hectares, e no Cerrado, que perdeu 51,7 milhões de hectares. Proporcionalmente, o Cerrado apresentou uma das maiores reduções de cobertura natural, com perda de 34% de sua vegetação original. O Pampa registrou queda de 32%.
O levantamento aponta ainda que a Mata Atlântica continua sendo o bioma mais alterado do país, mantendo apenas 32% de sua cobertura nativa original.
O crescimento da agricultura foi impulsionado principalmente pela expansão da soja. A área cultivada com o grão saltou de 4,5 milhões de hectares em 1985 para 44,2 milhões de hectares em 2025. No mesmo período, a área agrícola total cresceu de 18,6 milhões para 66,5 milhões de hectares.
As pastagens seguem ocupando a maior parte das áreas destinadas à produção agropecuária, alcançando 165,6 milhões de hectares, mais da metade de todo o espaço utilizado pelo setor.
O relatório também relaciona o avanço do desmatamento aos impactos climáticos. Segundo os pesquisadores, áreas convertidas para agricultura e pecuária sofrem mais intensamente os efeitos de eventos climáticos extremos, como os períodos de seca associados ao fenômeno El Niño.
Durante o episódio de El Niño registrado entre 2023 e 2024, áreas agrícolas da Amazônia apresentaram déficit de chuvas de até 178 milímetros abaixo da média histórica entre setembro e novembro, evidenciando a influência da perda de cobertura vegetal sobre o equilíbrio climático regional.





