Ataques do Paquistão deixam ao menos 28 mortos no Afeganistão

Ao menos 28 pessoas morreram nesta segunda-feira (21) em ataques aéreos realizados pelo Paquistão no nordeste do Afeganistão, segundo autoridades paquistanesas. A ofensiva ameaça aumentar novamente as tensões entre os dois países vizinhos após quase três meses de relativa calmaria.

As relações entre Paquistão e Afeganistão permanecem tensas desde fevereiro, quando os dois lados protagonizaram os confrontos mais graves registrados entre os países em anos. A principal disputa envolve grupos militantes, com Islamabad acusando Cabul de abrigar integrantes que realizam ataques contra o território paquistanês a partir do Afeganistão.

O governo do Talibã nega as acusações e afirma que a militância é um problema interno do Paquistão.

Os novos ataques ocorreram poucos dias depois de uma instalação policial no noroeste do Paquistão ser alvo de uma ofensiva que deixou pelo menos 16 mortos.

Casas são atingidas durante ataques

Segundo o vice-porta-voz do Talibã, Hamdullah Fitrat, pelo menos uma residência na província de Kunar foi atingida pelos ataques desta segunda-feira. Três pessoas da mesma família morreram e outras quatro ficaram feridas.

Na província de Paktika, no distrito de Barmal, dois locais também foram bombardeados. De acordo com Fitrat, uma loja e uma casa desocupada foram destruídas, mas não houve registro de vítimas nesses dois pontos.

As Forças Armadas do Paquistão não responderam imediatamente aos pedidos de comentário sobre os ataques.

O Afeganistão havia lançado drones contra o Paquistão em julho. Segundo Islamabad, as aeronaves foram interceptadas e abatidas pelas forças paquistanesas.

Confrontos já deixaram centenas de mortos

O episódio mais grave da atual escalada ocorreu em março, quando mais de 400 pessoas morreram em um ataque aéreo paquistanês contra Cabul. O Talibã afirmou na ocasião que os bombardeios atingiram um centro de reabilitação para dependentes químicos.

O governo do Paquistão negou a acusação e declarou que os ataques haviam atingido “com precisão instalações militares e infraestrutura de apoio a terroristas”.

A escalada entre os países ocorre em meio a uma diferença significativa na capacidade militar aérea. O Paquistão possui 422 aeronaves de combate e mais de 260 helicópteros, segundo dados do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, com sede em Londres.

O Afeganistão não possui caças, mas conta com pelo menos seis aeronaves e 23 helicópteros, além de drones que já foram utilizados em confrontos com o Paquistão.

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