A área cultivada com soja no Acre e no Amazonas sofreu uma retração de 12% na safra 2025/26, interrompendo o ritmo de expansão observado nos últimos anos. Os dados foram divulgados pela Serasa Experian na terceira edição do levantamento “Mapas Agro”.
Segundo o estudo, os dois estados somaram cerca de 28 mil hectares plantados, o que representa uma redução de aproximadamente 4 mil hectares em comparação com a safra anterior. O resultado contrasta com o cenário registrado no Matopiba — região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — onde a cultura da soja continua avançando.
Apesar da queda mais recente, o levantamento mostra que a produção de soja na região amazônica ainda acumula forte crescimento nos últimos anos. Desde a safra 2020/21, a área cultivada no Acre e no Amazonas aumentou cerca de 232,6%, com acréscimo de aproximadamente 20 mil hectares.
No Acre, alguns municípios seguiram na contramão da retração geral e ampliaram suas áreas de cultivo. Senador Guiomard liderou o crescimento, com mais 761 hectares plantados, seguido por Cruzeiro do Sul, com aumento de 280 hectares, e Epitaciolândia, com 164 hectares adicionais.
O levantamento também identificou que 699 hectares de soja cultivados nos dois estados estão localizados em propriedades com registros de desmatamento apontados pelo sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A área corresponde a cerca de 2,5% do total cultivado na região.
A Serasa Experian ressalta que a existência de registros de desmatamento não significa automaticamente irregularidade, já que a legislação permite a supressão de vegetação em determinadas situações, desde que haja autorização e documentação exigidas pelos órgãos competentes.
Outro dado apontado pela pesquisa é a presença da cultura da soja em assentamentos rurais. Juntos, Acre e Amazonas concentram cerca de 230 hectares plantados nessas áreas.
Realizado com imagens de satélite e técnicas de geoprocessamento, o estudo monitora a evolução das áreas agrícolas e busca identificar tendências de crescimento ou retração da atividade, auxiliando instituições financeiras, seguradoras e empresas do agronegócio na avaliação de riscos e oportunidades do setor.





