Acre registra 86 focos de calor na primeira semana de setembro; Corpo de Bombeiros reforça alerta contra queimadas e fumaça

O Corpo de Bombeiros Militar do Acre intensificou o alerta à população sobre os riscos das queimadas neste período mais seco do ano. Somente na primeira semana de setembro, o estado já contabiliza 86 focos de calor, com destaque para os municípios do Vale do Juruá, principalmente Feijó.

De acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros em Cruzeiro do Sul, major Josadaque Cavalcante, agosto e setembro concentram historicamente o maior número de queimadas no Acre, em razão da estiagem e das altas temperaturas típicas do período. Apesar do cenário de risco, o estado registrou em agosto deste ano o menor número de focos de calor para o mês em 12 anos.

Operação Fogo Controlado

O major destacou que a Operação Fogo Controlado mantém equipes atuando nos 18 municípios acreanos, combinando combate aos incêndios com ações preventivas. Somente em 2026, a corporação já realizou 7.888 atividades de orientação, entre palestras em escolas, visitas a produtores rurais e campanhas educativas.

“Para cada foco registrado, realizamos no mínimo 12 ações preventivas. Nosso objetivo é conscientizar a população sobre os riscos do uso do fogo e apresentar alternativas mais seguras para a eliminação da biomassa”, explicou o comandante.

Salto de julho para agosto

Os dados apresentados mostram um salto expressivo nos focos de calor: de 56 em julho para 487 em agosto, alta de 769%. Segundo o comandante, o aumento é considerado esperado para o período, quando produtores rurais costumam preparar áreas para plantio e renovação de pastagens.

Ainda assim, agosto de 2026 registrou o menor número de focos de calor para o mês em 12 anos — resultado atribuído às ações preventivas do Corpo de Bombeiros e de instituições parceiras.

Qualidade do ar preocupa autoridades

A fumaça gerada pelas queimadas é outro ponto de atenção. Cruzeiro do Sul e outros municípios da região já registraram índices de qualidade do ar acima dos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O major ressaltou que a poluição atmosférica não respeita fronteiras e pode se deslocar entre municípios, estados e até países, dependendo da direção dos ventos.

Além das queimadas ligadas a atividades rurais, o Corpo de Bombeiros chama atenção para incêndios provocados às margens de rodovias por ações irresponsáveis, como descarte inadequado de cigarros, e para incêndios criminosos, que causam prejuízos ambientais e danos a propriedades vizinhas.

Recomendações à população

Com previsão de temperaturas acima da média e chuvas abaixo do normal em setembro, a corporação recomenda que a população:

  • Evite atividades físicas ao ar livre nos horários mais quentes do dia;
  • Mantenha hidratação constante;
  • Não realize queimadas de lixo ou vegetação.

Segundo o major Josadaque Cavalcante, crianças e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos da fumaça e das partículas em suspensão no ar. O Corpo de Bombeiros reforça que a prevenção depende da participação de toda a sociedade para reduzir os impactos ambientais e proteger a saúde da população.

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